5 Nov, 2020

Estudo prevê que mais de 12 milhões de consultas e cirurgias vão ficar por fazer

As projeções são de um estudo da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e da Ordem dos Médicos. A atividade dos centros de saúde é a mais atingida.

Um estudo da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e da Ordem dos Médicos, sobre o impacto da Covid-19 no Serviço Nacional de Saúde (SNS), prevê que 2020 chegará ao fim com 12,5 milhões de consultas presenciais e intervenções cirúrgicas por realizar, avança o jornal Expresso.

A atividade do SNS em 2019 é a base destas estimativas, bem como os três primeiros meses deste ano e a redução que foi registada desde então. Os administradores hospitalares e os médicos concluem que existe uma falta de assistência, que por sua vez irá ter consequências.

As mais de 20 milhões de consultas presenciais de enfermagem ou de medicina geral e familiar realizadas em 2019 deverão cair este ano para apenas 10 milhões.

Já no caso das cirurgias, haverá uma quebra de 700 mil, para menos de 600 mil ou de 500 mil, dependendo da velocidade dos contágios.

 

Faltou investimento para maximizar capacidade do SNS 

 

Em declarações ao Expresso, o presidente da associação dos administradores hospitalares, Alexandre Lourenço, crítica a falta de investimento na maximização da capacidade do SNS entre maio e setembro. “Houve algum aumento na atividade, mas, ainda assim, não chegou sequer perto dos valores de 2019“, ressalva.

O estudo refere ainda, de janeiro a julho deste ano, menos 16,9 milhões de atos convencionados a privados, em meios de diagnóstico e terapêutica. A especialidade de psicologia é a mais afetada, com menos 81%, seguida pela pneumologia, imunoalergologia e otorrino, com 43% de redução. Para além destas especialidades, os rastreios, sobretudo do cancro da mama, também sofreram reduções preocupantes – há menos 26.104 mulheres com mamografia.

Alexandre Lourenço acredita que “daqui para a frente vai ser muito difícil” recuperar alguma desta atividade, uma vez que se aproximam os meses que podem vir a ser ainda piores, com a circulação em simultâneo da gripe. O presidente diz que “a janela de oportunidade que tivemos nos meses de verão” foi perdida e a necessidade de cuidar de mais infetados vai aumentar nos próximos meses.

Existe a separação entre unidades hospitalares para a infeção Covid-19 e para as restantes patologias, que consta no plano do Governo para o outono e o inverno, mas os especialistas defendem que essa rede não foi montada atempadamente e que “devia ter sido feita em abril, quando vários hospitais já não tinham infetados entre as suas admissões.”

AR/Expresso

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