13 Jul, 2018

Estado da Saúde. Ainda há 700 mil portugueses sem médico de família

Governo mantém objetivo de chegar ao final da legislatura com total cobertura de médicos de família mas essa meta parece cada vez mais difícil. Médicos queixam-se do excesso de utentes.

Apesar do aumento constante do número da cobertura nos últimos anos, mais de 700 mil portugueses ainda não têm médico de família atribuído. Em 2010 eram mais de 1,6 milhões. O governo mantém o objetivo de ter toda a população abrangida por um médico nos cuidados de saúde primários até ao final da legislatura (em 2019) mas essa meta parece cada vez mais inatingível.

No final de 2017, 711.081 portugueses ainda não tinham um clínico atribuído nos centros de saúde – a grande maioria na região de Lisboa e Vale do Tejo. A diminuição do número de utentes por médico de família tem sido uma das exigências feitas pelos sindicatos dos médicos à tutela mas que o Ministério da Saúde tem recusado. Atualmente, os médicos de Medicina Geral e Familiar(MGF) podem ter a seu cargo uma lista de 1900 utentes, embora o número possa atingir os 2500 em algumas Unidades de Saúde Familiar (com quais a tutela firmou acordos para a atribuição de incentivos financeiros).

Os médicos queixam-se do excesso de utentes por médico e defendem que as listas não deveriam ter mais de 1500 utentes. Esta reivindicação já levou, aliás, a classe a fazer várias greves nos últimos anos. Contudo, o governo recusa-se a reduzir o tamanho das listas enquanto não estiver assegurada a cobertura total a nível nacional no próximo ano – em 2018, o objetivo é que 96% da população já tenha médico de família.

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) garante que a situação “fica muito complicada” quando as listas têm mais de 1700 pessoas. Nestes casos os médicos, a braços com a necessidade de dar resposta a todos os pedidos de consulta, chegam a fazer 21 consultas por dia (mais de 4440 por ano), adianta Rui Nogueira, ao Público.

O presidente da APMGF lembra que os médicos aceitaram aumentar o tamanho das listas e trabalhar 40 horas por semana quando a troika chegou a Portugal. Uma situação que deveria ser transitória, diz.

Também o ex-presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF –AN) defende a diminuição do número de utentes por médico, uma vez que estão a acabar a formação centenas de jovens médicos, que nos próximos anos chegarão ao SNS. “Aceitamos ficar com listas de 1900 utentes em 2009, mas foi num contexto de falta de médicos e isso mudou. Pela primeira vez, o número de médicos de família vai ser suficiente, no horizonte de três anos”, refere Bernardo Vilas Boas. “É uma janela de oportunidade para redimensionar a lista de utentes. Serão anos cruciais”, concorda Rui Nogueira.

A estimativa é que faltem ainda mais de 600 médicos nos centros de saúde e USF por todo o país.

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