28 Nov, 2025

Especialistas defendem reforço de vacinação ao longo da vida em Portugal

Os médicos defendem a ampliação do Programa Nacional de Vacinação, incluindo a integração de novas vacinas e a eliminação da exigência de prescrição médica para o acesso a imunizações recomendadas.

Especialistas defendem reforço de vacinação ao longo da vida em Portugal

Especialistas nacionais e internacionais defenderam, em Lisboa, o reforço da vacinação ao longo da vida, com maior inclusão da população adulta, de forma a alinhar Portugal com as recomendações da União Europeia e da Organização Mundial da Saúde (OMS), no âmbito da Agenda de Imunização 2030 (IA2030).

O encontro, promovido pela Adult Immunization Board (AIB) entre terça e quarta-feira, reuniu peritos que debateram políticas e estratégias de vacinação dirigidas a profissionais de saúde, grávidas, idosos e pessoas imunocomprometidas. As conclusões do evento, divulgadas hoje à Lusa, apontam para a necessidade de integrar a imunização nas políticas de envelhecimento saudável e longevidade, áreas-chave dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Os especialistas alertaram que Portugal deve acelerar a adaptação da sua política vacinal à Agenda de Imunização 2030, a estratégia global da OMS que visa maximizar o impacto das vacinas. Segundo a OMS, uma implementação plena da IA2030 poderá salvar 50 milhões de vidas até 2030, garantindo acesso à imunização a pessoas de todas as idades, em qualquer região do mundo.

Entre as recomendações apresentadas, destaca-se a ampliação do Programa Nacional de Vacinação (PNV), incluindo a integração de novas vacinas e a eliminação da exigência de prescrição médica para o acesso a imunizações recomendadas. Os especialistas defenderam também a criação de modelos de copagamento ou de reembolso ajustados ao rendimento, com o objetivo de assegurar maior equidade no acesso.

A melhoria dos sistemas de aquisição de vacinas foi outro dos pontos abordados, com os intervenientes a sublinhar que uma maior eficiência poderia gerar poupanças significativas e permitir a introdução de novas vacinas no PNV.

O pneumologista Filipe Froes, ouvido pela Lusa antes do encontro, reconheceu que o PNV permanece “muito centrado” nas idades pediátricas, considerando que Portugal ainda não adaptou devidamente a sua estratégia para uma imunização ao longo da vida. Para aumentar a cobertura vacinal, especialmente nos mais idosos, Froes defende a implementação da estratégia “95-95-95”, que visa alcançar 95% de cobertura vacinal em pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos e profissionais de saúde.

Durante os dois dias de debates, especialistas enfatizaram a importância de uma comunicação eficaz, baseada em evidência científica e dirigida a diferentes públicos, destacando a necessidade de relacionar a vacinação com o envelhecimento saudável, a prevenção de doenças crónicas e a melhoria da qualidade de vida. O combate à desinformação deve passar por mensagens claras e acessíveis, capazes de traduzir dados técnicos — como taxas de eficácia — em métricas concretas, por exemplo o número de camas hospitalares poupadas.

As conclusões apontam ainda para a necessidade de formação contínua para profissionais de saúde e de acesso facilitado a informação atualizada em formatos práticos. No plano logístico, foi defendida a expansão de locais de vacinação, reforçando a colaboração entre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e as farmácias, bem como o envio de convites ativos aos grupos elegíveis e o aumento de modalidades de agendamento simplificado, como a “casa aberta”.

Os especialistas reforçam que tratar a população “como parceira, e não apenas como público-alvo”, será essencial para aumentar a confiança e melhorar as taxas de vacinação em todas as faixas etárias.

SO/LUSA

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