22 Jan, 2019

DGS diz que dados da mortalidade infantil são normais mas Marcelo está preocupado

A Direção-geral da Saúde diz que número de óbitos é semelhante ao de 2016 mas o Presidente da República mostrou-se preocupado. Maioria das mortes atingiram bebés com menos de um mês.

Em declarações aos jornalistas, a diretora-geral da Saúde indicou que os dados provisórios da mortalidade infantil apontam para 3,28 óbitos no primeiro ano de vida em cada mil nascimentos, valor muito semelhante ao de 2016. Os dados de 2018 são ainda provisórios, porque a autoridade de saúde aguarda o número de nascimentos apurado pelo Instituto Nacional de Estatística.

Contudo, Graça Freitas indica que não se deve fazer uma comparação dos dados de 2018 apenas com o ano anterior, até porque 2017 foi um ano com mortalidade infantil “anormalmente baixa”. “O número de mortes está dentro do que é expectável para o nosso país, de acordo com a nossa linha de base. [Em 2018] é uma taxa dentro da variação habitual da mortalidade infantil, estando dentro do que é esperado”, afirmou aos jornalistas.

Para ilustrar esta análise, a diretora-geral da Saúde comparou número brutos de mortalidade entre 2016 e 2018. Em 2016 morreram em Portugal 283 crianças até ao primeiro ano de vida e em 2018 morreram 289. Assim, comparando o ano de 2016 com 2018, no ano passado terá havido um acréscimo de seis mortes em crianças até ao um ano, num universo estimado de 88 mil nascimentos.

Presidente da República preocupado

 

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se preocupado com os números, defendendo que é preciso apurar as causas para que “não se volte a repetir no futuro“. “Supondo que esses números correspondem à realidade, isso preocupa-me. Porque uma das bandeiras da democracia de Abril era uma mudança revolucionária no domínio da mortalidade infantil, uma redução drástica”, considerou.

O Presidente da República rejeitou fazer uma leitura dos números, mas sublinhou que “gostava” de perceber, junto dos especialistas, se estes números correspondem à realidade e porque é que isto aconteceu.

A Ordem dos Médicos pediu já um apuramento rápido das causas do aumento da mortalidade infantil, que segundo dados provisórios da Direção-geral da Saúde registou em 2018 o valor mais elevado desde 2013. De acordo com os dados oficiais ainda provisórios, os valores da mortalidade infantil são apenas ligeiramente acima dos que foram verificados em 2016.

Em resposta a este apelo, a diretora-geral da Saúde lembrou à Ordem dos Médicos que as causas da mortalidade infantil e materna “são sempre estudadas e rapidamente esclarecidas”. “Quando se trata de mortalidade infantil e materna há uma longa tradição na DGS de observar causa a causa. São sempre analisadas e investigadas, por rotina”, afirmou Graça Freitas.

Sabe-se também que mais de metade das mortes infantis que ocorreram no ano passado foram na fase neonatal, até aos 28 dias de vida do recém-nascido. Graça Freitas adiantou que 194 dos 289 óbitos infantis registados em 2018 ocorreram nesta fase.

Dessas 194 mortes neonatais, 100 tinham sido bebés prematuros de gestações com menos de 28 semanas, que são considerados os “grandes prematuros” e apresentam maior risco de mortalidade e de complicações associadas.

Saúde Online / Lusa

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