26 Abr, 2017

Despesas de saúde das famílias portuguesas entre as mais elevadas da União Europeia

O Health System Review (HIT) será apresentado amanhã no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) e dará a conhecer a comparação entre Sistemas de Saúde a nível internacional, mas para já adianta alguns dados importantes para a saúde pública portuguesa

A “performance do sistema de saúde português”, a “comparação internacional” e o “sistema de saúde português visto de uma perspetiva internacional” são alguns dos temas em análise.

O Health System Review (HIT) revela que um dos resultados mais preocupantes reside no facto das despesas de saúde das famílias portuguesas estarem entre as mais elevadas da União Europeia, representando 27,6% do PIB em 2015 (dados provisórios).

A procura crescente por seguros de saúde levou a um aumento da oferta, um fenómeno que se deve em parte aos tempos de espera para consultas e cirurgias no Serviço Nacional de Saúde (SNS), pelo que a sustentabilidade do SNS é um dos maiores desafios que o governo enfrenta.

O HIT revela ainda que nos últimos 40 anos Portugal fez progressos significativos na redução da mortalidade e no aumento da esperança média de vida à nascença que em 2014 era de 81,3, um pouco superior à da União Europeia, que registava 80,9 anos (Eurostat2016b).

A mortalidade infantil em Portugal -2,9 óbitos em 100.000 -, apresenta uma taxa inferior à média da União Europeia -3,7/100.000 nados vivos.

Porém as estimativas da esperança de vida são bastante diferentes entre homens e mulheres, sendo que as mulheres portuguesas vivem em média mais 6,4 anos que os homens, valor também superior, quando comparada com os 5,5 anos contabilizados na União Europeia.

As mulheres vivem, portanto, mais do que os homens, sendo, no entanto, mais afetadas por perturbações músculo-esqueléticas, depressão e obesidade, têm também mais propensão para baixas médicas e para sofrerem de dor lombar crónica.

Ainda segundo o HIT, existem estudos que concluem que um baixo nível educacional está associado a um pior estado de saúde. A evidência sugere que os grupos mais vulneráveis em Portugal incluem idosos e crianças em situação de pobreza, pessoas pobres que habitam em áreas rurais, minorias étnicas, migrantes e desempregados de longa duração. Estes grupos têm maior propensão para ter problemas de saúde quando atravessam períodos prolongados de pobreza, desemprego e exclusão social.

Também existem diferenças significativas de riqueza e de indicadores de saúde, entre as áreas de Lisboa e Porto e as regiões do interior. Muitos dos que residem em áreas rurais ainda continuam a viver numa relativa pobreza e enfrentam barreiras (particularmente de distância geográfica) de acesso a serviços de saúde de qualidade.

As disparidades geográficas são apontadas no relatório como importantes uma vez que, excluindo médicos em formação, a área de Lisboa concentra 250 médicos do SNS por 100 mil habitantes, contra 100 médicos no Alentejo pelos mesmos 100 mil.

Comunicado de Imprensa/SO/CS

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