O questionário ainda está em curso, mas os primeiros resultados baseiam-se numa amostra de 1500 profissionais de saúde (inquiridos entre 9 e 18 de maio), entre os quais médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e técnicos de diagnóstico e terapêutica. Os resultados foram hoje revelados pelo JN, e demonstram que mais de metade dos profissionais de saúde apresentam sinais de exaustão física ou psicológica e burnout.

Esta exaustão física e psicológica é mais significativa nos profissionais de saúde que estão na linha da frente do combate à pandemia, ou seja, em contacto direto com os pacientes com Covid-19.

«Os resultados parecem indicar que a Covid-19 levou a uma exacerbação de problemas ao nível da saúde mental, com particular impacto emocional e físico nos profissionais de saúde na linha que se encontram na frente», revelam ao JN as coordenadoras do estudo, Carla Serrão e Ivone Duarte, da FMUP e Cintesis.

A escala utilizada avaliou três dimensões de burnout: pessoal, profissional e associado ao cliente/doente.

Os resultados indicam que:

  • 51% dos participantes estão em exaustão física e emocional (burnout pessoal);
  • 52% estão em burnout associado ao trabalho (provocado por pressão, conflitos, responsabilidades várias, entre outros);
  • 35% apresentam um burnout que resulta da relação com o doente.

Este último é o indicador que põe em causa a prestação direta de cuidados, uma vez que pode traduzir-se “em desinteresse, cinismo, e numa relação despersonalizada” do profissional de saúde com o doente, explica Carla Serrão, investigadora da ESE.P.Porto e do centro de investigação InED.

As coordenadoras do estudo, Carla Serrão e Ivone Duarte, da FMUP e Cintesis salientam que estes profissionais representam 28,4% da amostra (425) e, embora ainda não haja resultados definitivos, “apresentam níveis mais elevados de ansiedade, stress e burnout”.

SO/JN

 

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