Instituto de Educação

Consumo de tabaco à porta das escolas secundárias de Braga.

 

Universidade do Minho

Daniel Silva Pereira, Maria Joana Rodrigues, Vânia Gomes Dias e José Precioso

As crianças e os jovens que fumam, veem aumentado o risco de padecer de amigdalite, de constipações, de bronquite, de ataques de asma, assim como de outros problemas respiratórios.

Sabe-se também que o consumo de tabaco está frequentemente associado com o consumo de álcool e de outras drogas e é geralmente a primeira substância a ser usada pelos jovens que entram numa sequência de consumos de drogas que incluem o tabaco, o álcool, a marijuana e outras drogas.

As crianças e os adolescentes, quando começam a fumar, correm um risco elevado de se tornarem dependentes do tabaco muitas vezes para a vida inteira, podendo mais tarde vir a padecer das graves patologias associadas à aspiração do fumo do tabaco. Estudos mais recentes, efetuados por DiFranza et al. (2002), mostram que as crianças tornam-se dependentes da nicotina mais facilmente do que os adultos e com quantidades de tabaco tão baixas que nunca antes tinham sido estudadas (fumar dois cigarros por dia durante quatro a seis semanas). Um fator de risco para muitos alunos iniciarem uma prejudicial carreira de fumadores é percecionarem que os amigos gostavam que fumassem, ou seja, começam a fumar para conseguir uma aproximação e integração no grupo de pares. Muitos alunos/as começam a fumar na escola por influência dos colegas. Justifica-se assim a criação de Escolas livres de Tabaco, sendo que a principal razão da proibição de fumar na escola, neste momento, é a de reduzir o número e o tipo de modelos que podem influenciar os jovens a fumar, modificando assim uma norma social concordante com o consumo desta substância. Em Portugal, a Lei de Prevenção do Tabagismo (Lei n.º 14/2007 de 14 de Agosto) determina que é proibido fumar nos estabelecimentos de ensino. Os alunos, os professores e outros profissionais não podem fumar na escola e devem ser colocados na escola dísticos a informar da proibição de fumar. No entanto, neste momento, alguns membros da comunidade escolar vêm fumar para a porta das escolas. Com o objetivo de descrever o consumo de tabaco à porta das escolas secundárias de Braga, foi realizado em Janeiro deste ano, um estudo observacional em seis escolas secundárias.

Foram feitas observações e registos em cada escola à hora do intervalo. Registou-se o sexo, a idade aproximada, o número de pessoas a fumar, o cheiro a tabaco e o número de pontas de cigarro no chão. Constatou-se que em média 24 alunos (intervalo entre 10 e 57 alunos) e 4 adultos (intervalo entre 1 e 9 alunos professores e ou funcionários) das escolas observadas, estavam a fumar à porta da escola na altura da observação, (durante o intervalo grande). De uma forma geral observou-se: mais rapazes do que raparigas a fumar (exceto numa escola); mais jovens do que adultos; a existência de fumadores passivos; um cheiro intenso a fumo do tabaco; grande número de pontas de cigarros no chão. Uma escola sem tabaco é uma escola onde é possível circular sem ser incomodado pelo fumo do tabaco e que, para além disso, tem uma política de prevenção tabágica clara, conhecida e assumida pela comunidade escolar. Esta proibição deve ser estendida ao exterior. O cumprimento desta limitação ao consumo de tabaco deve ser acompanhado de uma oferta de consultas de desabituação aos professores, funcionários e alunos fumadores pelos Centros de Saúde que dão apoio à comunidade escolar. Devem por isso ser feitos esforços para incrementar a formação dos profissionais de saúde na desabituação tabágica e aumentar, a nível das unidades de saúde, a oferta de apoio técnico organizado às pessoas que desejem deixar de fumar. Além de escolas livres de fumo, continua a ser necessário promover a criação de ambientes livres do tabaco em locais frequentados por jovens, por exemplo nos clubes desportivos, juvenis, associações, entre outros. A criação de ambientes livres de fumo deve, igualmente, estender-se ao ambiente familiar, em casa e no carro. Alguns países têm introduzido medidas neste sentido, como a proibição de fumar nos carros quando vão crianças a bordo.

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