19 Abr, 2022

Casos de hepatites agudas em crianças alastram pelo mundo e fazem soar alerta

Já foram registados casos em crianças de vários países europeus. Algumas tiveram mesmo de ser submetidas a transplante de fígado. Origem da doença permanece desconhecida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já identificou dezenas casos de hepatite agudas – inflamação do fígado – entre crianças de vários países, sendo que permanece por esclarecer a causa da doença. O fenómeno, que parece estar a generalizar-se, levou já o Centro Europeu de Controlo de Doenças a lançar um alerta. Em Portugal, a DGS garante estar a acompanhar a situação, adianta o jornal i.

Só até dia 8 de abril, foram registados 74 casos de hepatite aguda em crianças no Reino Unido, o país mais afetado. Todos as crianças têm menos de dez anos e foram infetadas com um tipo de vírus da hepatite diferente das variantes até agora conhecidas pela comunidade médica – isto é, não corresponde aos vírus que provocam as hepatites A, B, C, D e E. Até ao momento, pelo menos oito crianças foram submetidas a um transplante de fígado.

Na passada quarta-feira, Espanha registou os três primeiros casos de hepatite com origem desconhecida. Sabe-se que estas crianças são todas residentes na zona de Madrid, têm entre dois e sete anos, e estão internadas no Hospital La Paz, na capital espanhola. Uma delas teve mesmo de ser submetida a um transplante de fígado, segundo escreve o Observador. Ainda assim, a doença está a evoluir favoravelmente nestes três casos. Também há registo de casos noutros países europeu, como a Dinamarca e os Países Baixos. E também nos Estados Unidos. As autoridades de saúde do estado do Alabama confirmam que os primeiros casos de crianças com inflamações agudas do fígado começaram a surgir em novembro de 2021. Neste momento, as situações confirmadas já ultrapassam a dezena.

A origem destas hepatites permanece desconhecida. De entre as hipóteses levantadas, está a de que estas inflamações do fígado possam estar a ser causadas por adenovírus, um tipo de vírus que foi identificado em algumas das crianças hospitalizadas. Trata-se de um grupo de vírus que normalmente causa doenças respiratórias mas que também pode ser responsável por hepatites, embora os quadros de lesão hepática sejam pouco frequentes.

Outra possibilidade é a infeção por SARS-CoV-2.  No entanto, no caso do Reino Unido, apenas algumas crianças testaram positivo para o SARS-CoV-2 à entrada do hospital e não apresentavam sintomas de Covid-19.

Não há motivo para alarmismo, mas para reforçar a vigilância e estarmos preparados para como atuar na eventualidade de surgirem casos” em Portugal, diz, ao i, Rui Tato-Marinho, diretor do Programa Nacional para as Hepatites Virais da DGS, adiantando que a estrutura que lidera já alertou a Sociedade Portuguesa de Pediatria para este fenómeno. O também diretor do Serviço de Gastrenterologia do Hospital de Santa Maria pede que se mantenham os cuidados de higiene e no contacto entre crianças neste regresso à escola pós- férias da Páscoa.

Em Portugal, a Direção Geral de Saúde está a acompanhar a situação, não tendo assim sido registado nenhum caso em território nacional. Os quadros de hepatites são incomuns em crianças, sobretudo casos clínicos mais severos que levem a falência hepática e consequente necessidade de transplante. O sintoma mais reportado em crianças é a icterícia mas o quadro inclui também dores abdominais, náuseas, diarreia e vómitos.

SO

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