18 Nov, 2020

Cancro. 70% dos doentes nunca ouviram falar de mutações genéticas BRCA

Dos 30% de doentes que já ouviram falar de mutações genéticas nos genes BRCA, 57,4% não sabem que aumentam o risco de desenvolver alguns tipos de cancro, segundo um novo estudo.

 A maioria (70%) dos doentes oncológicos e seus familiares nunca ouviram falar de mutações genéticas BRCA e os que as conhecem não sabem que aumentam o risco de desenvolver cancros como o do pâncreas ou da próstata.

Segundo um estudo desenvolvido no âmbito da campanha “saBeR mais Conta”, que pretende esclarecer a população, sobretudo os doentes oncológicos e familiares, sobre a relação entre estas mutações genéticas e alguns tipos de cancro, apenas 9,8% dos doentes que já ouviram falar nestas alterações as relacionam com o cancro do pâncreas.

“O gene BCRA vem do nome inglês Brest Câncer Gene (gene do cancro da mama), o que leva a muitas interpretações erradas. Este gene não está só ligado ao cancro da mama. A síndrome do cancro da mama e ovário também envolve outros órgãos, nomeadamente próstata e pâncreas, ou melanomas e cancro da mama no homem”, explicou à Lusa Tâmara Milagre, da associação Evita.

A presidente da Evita – Associação de Apoio a Portadores de Alterações dos Genes Relacionados com Cancro Hereditário – sublinhou a importância de se saber que “não é só uma coisa das mulheres”, pois pode afetar também os homens e outros órgãos, além da mama e do ovário.

“Estamos a discutir a nível europeu alterar o nome da síndrome, pois o próprio nome desvia da realidade”, disse.

O estudo indica ainda que, dos 30% de doentes que já ouviram falar de mutações genéticas nos genes BRCA, mais de metade (57,4%) não sabem que aumentam o risco de desenvolver alguns tipos de cancro, apenas 9,8% as associa