8 Ago, 2018

Biomarcador no sangue pode ajudar a prever progressão da DPOC

Um grupo de investigadores sugere que a medição de telómeros sanguíneos, um marcador de envelhecimento das células, pode ser usado para prever o risco de agravamento ou morte em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

“Estudos anteriores sugeriram que a DPOC pode ser uma doença do envelhecimento acelerado por uma variedade de razões, incluindo sua relação estreita com distúrbios relacionados com a senescência, como osteoporose e demência, e seu aumento exponencial na prevalência acima dos 50 anos de idade. Sabe-se que telómeros curtos estão associados a comorbidades comuns da DPOC, como doenças cardiovasculares e cancro, mas não se sabia se havia uma relação entre os telómeros sanguíneos e os resultados relacionados com o paciente na DPOC”, explicou o investigador principal. Don D. Sin, do Centre for Heart Lung Innovation, St. Paul’s Hospital, e do Departamento de Medicina (Divisão Respiratória) da University of British Columbia, no Canadá, citado em comunicado.

Os telómeros são sequências de DNA repetitivas específicas encontradas nas extremidades dos cromossomas. A sua principal função é impedir o desgaste do material genético.  Cada vez que uma célula se replica, os telómeros tornam-se progressivamente mais curtos até que deixam de se dividir, um processo conhecido como envelhecimento celular ou senescência.

Os investigadores usaram dados do estudo Macrolide Azithromycin for Prevention of Exacerbations of COPD (MACRO) que incluiu a participação de 576 pacientes com DPOC moderada a grave, que forneceram uma amostra de sangue para análise de DNA. O comprimento dos telómeros foi medido para determinar a idade das células nas amostras de sangue. Os participantes foram divididos em grupos, com telómeros mais curtos ou mais longos, e foram acompanhados durante 3 anos e meio.

A equipa de investigação descobriu que os pacientes com telómeros curtos eram 50% mais propensos a ter exacerbações e nove vezes mais hipóteses de morrer em relação aos que tinham telómeros sanguíneos normais. Os pacientes com telómeros curtos também apresentaram pior estado de saúde e pior qualidade de vida, medido através do St. George’s Respiratory Questionnaire (SGRQ), que incluiu a avaliação das atividades diárias, sintomas respiratórios e impacto psicológico.

Neste estudo foi também determinado que o fármaco azitromicina pode ajudar pacientes com telómeros curtos, evitando os resultados negativos acima descritos. “A boa notícia é que essas diferenças [nos resultados] não foram observadas quando os pacientes com telómeros curtos foram tratados com terapia diária de azitromicina”, relatou o Dr. Sin. “Isso sugere que este biomarcador sanguíneo pode ajudar pacientes com DPOC, que serão mais beneficiados com o tratamento com azitromicina”, conclui.

O estudo foi publicado na revista CHEST.

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