Hospital de Santa Cruz ultrapassa 300 transplantes cardíacos e assinala 40 anos de atividade
Quatro décadas após o primeiro transplante cardíaco realizado em Portugal, o Hospital de Santa Cruz já ultrapassou os 300 procedimentos e atingiu em 2025 um número recorde anual. A evolução clínica e tecnológica tem permitido melhores resultados e maior sobrevivência dos doentes transplantados.

O Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, já realizou 346 transplantes cardíacos desde que protagonizou o primeiro procedimento do género em Portugal, em fevereiro de 1986.
Os dados foram divulgados a propósito da celebração dos 40 anos do primeiro transplante cardíaco no país, assinalada hoje na instituição.
Segundo o hospital, só em 2025 foram realizados 21 transplantes cardíacos, o maior número anual de sempre na unidade.
A diretora do serviço de cirurgia cardiotorácica, Marta Marques, adiantou que a média de idades dos recetores se situa entre os 30 e os 35 anos.
Além da atividade transplantadora, o hospital realizou também, em 2025, seis assistências circulatórias de longa duração com o sistema HeartMate 3, dispositivos conhecidos como “corações artificiais”, usados sobretudo como ponte para transplante.
Segundo Marta Marques, estes dispositivos permitem estabilizar os doentes e, em muitos casos, melhorar os resultados clínicos enquanto aguardam um órgão, podendo em algumas situações funcionar como alternativa prolongada ao transplante.
“Na maior parte das vezes é uma terapêutica de ponte”, explicou, sublinhando o contributo destes sistemas para responder melhor às necessidades dos doentes.
Sobre áreas a melhorar na transplantação em Portugal, a responsável defendeu maior acesso das equipas transplantadoras à lista nacional de recetores no Registo Português de Transplantação, para acompanhar a posição dos doentes em lista de espera e a probabilidade de acesso a um órgão disponível.
Quanto à evolução dos resultados clínicos, Marta Marques salientou que o risco de rejeição nos primeiros meses após transplante diminuiu muito nas últimas décadas e que hoje é possível viver mais de 20 anos com um coração transplantado.
Essa evolução é ilustrada por casos como o de Luís Guedes, 54 anos, transplantado há quase 19 anos, que mantém uma vida ativa e vai participar este ano no Campeonato Europeu para Transplantados, nos Países Baixos.
Segundo o próprio, a medicação diária é a principal marca deixada pelo transplante no quotidiano.
Em Portugal, todos os cidadãos são considerados potenciais dadores, exceto se manifestarem oposição através do Registo Nacional de Não Dadores (RENNDA).
O primeiro transplante cardíaco em Portugal foi realizado por João Queiroz e Melo, hoje com 81 anos, num momento que Isabel Aldir, presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental, classifica como um marco histórico para a medicina nacional.
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