28 Jul, 2020

Algarve. Concurso para contratar 60 médicos sem candidatos

Sindicato dos Médicos sublinha que vagas não são atrativas. Concurso está deserto mas presidente da ARS do Algarve garante que escalas estão asseguradas.

Não é uma novidade mas este ano o cenário parece ter piorado. Até agora, nenhum médico se candidatou às 60 vagas por mobilidade interna abertas pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, com o objetivo reforçar as unidades de saúde daquela região durante o verão, adianta o jornal Público.

“Neste momento ainda não temos nenhum médico e temos muito poucos enfermeiros, cerca de meia dúzia”, diz Paulo Morgado, presidente da ARS do Algarve, sobre o concurso que encerra a 30 de setembro. De acordo com a lista de necessidades de pessoal médico, Anestesiologia e Pediatria são as especialidades em que há mais profissionais em falta (sete em cada especialidade), seguidas de Medicina Intensiva e Ortopedia (seis cada).

Ao todo seriam necessários 60 profissionais de 15 especialidades para o reforço de verão, 36 para o hospital de Faro, 18 para o de Portimão e seis para os centros de saúde.

Todos os anos a ARS do Algarve tenta atrair médicos para a região, oferecendo o pagamento de alojamento, deslocações e ajudas de custo. No entanto, estas vagas acabam por não se mostrar atrativas para levar os profissionais a mudarem-se para o Algarve durante este período do ano e o SNS vê-se obrigado a recorrer a médicos da região e a médicos contratados a empresas prestadores de serviços.

Para o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), os motivos que levam os médicos a não escolherem o Algarve para trabalhar “nem sequer são só financeiros”. Jorge Roque da Cunha diz mesmo ainda que o anúncio de mobilidade interna é “um anúncio propagandístico”. No ano passado, apenas dois médicos acabaram por aceitar as condições propostas pela ARS.

 

Falta de candidatos não compromete escalas

 

Contudo, e apesar de a lista elaborada pelo Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) identificar a necessidade de 60 médicos para a região no verão, isso não significa que os hospitais não consigam assegurar as escalas.

Segundo Paulo Morgado, as escalas “estão asseguradas”, devido à contratação de médicos externos para ajudar a “colmatar as falhas que algumas vezes existem”, mas que, segundo o dirigente, têm sido “pontuais”.

O presidente da ARS/Algarve dá o exemplo das dificuldades em assegurar as escalas no serviço de Pediatria no hospital de Portimão, que “de vez em quando falham”, sendo este “um problema crónico”, com décadas. “Não estamos a contar apenas com isto [mobilidade temporária], nem é a forma principal que temos para dar resposta às necessidades. É mais um instrumento que temos à nossa disposição”, reiterou.

Paulo Morgado acredita que o facto de este ser um “ano especial” também pode “condicionar a adesão dos profissionais de saúde” que, tal como alguns portugueses, poderão optar por não sair da sua zona de residência.

A pandemia de covid-19 e o facto de haver menos mobilidade por parte da população portuguesa, assim como de turistas, já provocou uma redução na afluência aos serviços de urgências no Algarve em relação a anos anteriores, indicou.

TC/SO

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