1 Jun, 2018

A campanha antitabágica do Ministério da Saúde que está a gerar polémica [vídeo]

A cada 50 minutos morre uma pessoa em Portugal por doenças atribuíveis ao tabaco. Curta-metragem dá corpo a uma campanha dirigida às mulheres, o segmento da população em que o consumo de tabaco cresce ( os homens estão a fumar menos). Mas a polémica já se instalou.

Numa altura em começam a escassear ideias para reduzir o consumo de tabaco em portugal – uma das medidas preconizadas para breve será a retirada das marcas das embalagens dos maços -, o Ministério da Saúde decidiu inovar e apostar uma campanha de sensibilização, em formato de curta-metragem, dirigida ao público feminino.

Ao contrário dos homens, em que o consumo diminuiu de 35,2% para 26,7% entre 1987 e 2014, o consumo entre as mulheres mais do que duplicou no mesmo período de 6 para mais de 14%. Isto fez com que, em 27 anos, e apesar de todas as campanhas antitabágicas, o consumo total não tivesse sofrido alterações (mantém-se em cerca 20% o número de portugueses que fumam). Esta tendência explica a criação da campanha, que conta com a participação da atriz Paula Neves, uma jovem mãe que sofre de cancro do pulmão e que, mesmo numa fase avançada da doença, não consegue largar o vício.

A curta-metragem, da autoria do realizador André Badalo, mostra a degradação física da mulher de 40 anos, desde o momento em que fazia uma vida normal, até à fase terminal da doença, em que uma das suas maiores preocupações era não transmitir o hábito de fumar à filha. “Uma princesa não fuma!”, é o apelo que esta mãe faz à filha já no fim da história.

Intitulada “Deixe de Fumar. Opte por Amar Mais”, a campanha dá corpo “à nova e disruptiva campanha da luta contra o tabagismo” e vai conseguir, acreditam os responsáveis do Ministério da Saúde e da Direcção-Geral da Saúde, “um forte impacto junto da população”. O objetivo é reduzir o consumo de tabaco para os 17% no curto prazo. “É um objectivo ambicioso, mas temos que lutar por isso. O número de ex-fumadores aumentou muito e o dos que nunca fumaram também. O problema é que [a idade de] início do consumo mantém-se”, diz o secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo.

Polémica

A primeira das reações negativas que, entretanto surgiram, partiu da deputada Isabel Moreira, que considera a campanha “inadmissível”. “Espero que o Ministério da Saúde retire a campanha, que é uma campanha misógina e culpabilizante das mulheres”, disse à Lusa a deputada socialista.

“A campanha faz todas as associações da mulher que é mãe e que ao fumar vai ser necessariamente mal-amada e não vai encontra o amor, vai desproteger os seus filhos. É uma campanha que, em termos de igualdade de género, é inadmissível e que deve ser retirada”, defende.

Também os deputados bloquistas Moisés Ferreira, Jorge Falcato e Sandra Cunha, dizem “aquilo que poderia ser uma boa iniciativa materializou-se numa campanha que confunde público-alvo com discriminação”. Pensar uma campanha de prevenção do tabagismo centrada no papel da mulher mãe, que se deve sentir culpada pelo mau exemplo que está a passar à filha é sexista e culpabilizador da mulher”, escrevem os deputados numa pergunta endereçada ao Ministério da Saúde.

O Bloco de Esquerda considera que “esta campanha é desajustada, assentando numa imagem sexista das mulheres e meninas”, defendendo que “é possível fazer uma campanha  dirigida a mulheres e meninas sem que seja sexista”.

A diretora-geral de Saúde já veio defender a campanha e explicou que esta visa diminuir o consumo de tabaco nas mulheres mais jovens, que são quem mais está a fumar. Segundo Graça Freitas, a campanha tem um enquadramento epidemiológico que são as mulheres adolescentes, porque são as que estão a fumar mais.

Segundo o Ministério da Saúde, o consumo de tabaco é responsável por 10,6% das mortes em Portugal, o que significa que o tabaco mata um português a cada 50 minutos e que as mulheres estão a adoecer e a morrer mais por doenças associadas ao tabaco. “O relatório das doenças oncológicas, publicado em 2017, destacou o aumento de 15% da mortalidade no sexo feminino, entre 2014 e 2015, por tumores malignos de traqueia, brônquios e pulmão.

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