Associações apelam ao Governo para avançar com plano nacional de rastreio do cancro do pulmão
Associações de doentes, organizações médicas e sociedades científicas defendem a criação de um plano nacional de rastreio do cancro do pulmão, alertando para a necessidade de acelerar a sua implementação. Em Portugal, esta doença provoca, em média, 13 mortes por dia e regista 16 novos diagnósticos diários.

Associações de apoio a doentes, organizações médicas e sociedades científicas apelaram ao Governo para que apresente um plano nacional de rastreio do cancro do pulmão, uma das principais causas de morte por doença oncológica em Portugal e o tipo de cancro mais mortal a nível mundial.
Numa carta aberta promovida pela associação Pulmonale, enviada à ministra da Saúde, os subscritores reconhecem a existência de projetos-piloto já anunciados, mas alertam que estas iniciativas não substituem um programa nacional de rastreio, considerado essencial para garantir a equidade no acesso.
As organizações defendem a criação de um plano de rastreio de base populacional, com objetivos, calendário e compromissos públicos claramente definidos, questionando o Ministério da Saúde sobre os próximos passos nesta área e apelando a uma maior rapidez na concretização das medidas.
Para os subscritores, os projetos-piloto em curso devem integrar formalmente uma estratégia nacional, tendo como objetivo a implementação de um modelo de rastreio transparente, de base populacional e sustentado nas recomendações científicas, em articulação com as melhores práticas europeias e com o Plano Europeu de Luta Contra o Cancro.
Consideram igualmente fundamental reforçar a colaboração entre decisores políticos, profissionais de saúde, sociedades científicas e associações de doentes, tanto na definição como na execução do futuro programa.
“Apelamos ao Governo, à senhora ministra da Saúde e aos demais decisores com responsabilidade nesta matéria que assumam, sem mais adiamentos, o compromisso de apresentar um plano nacional de rastreio do cancro do pulmão de base populaciona”, lê-se na carta.
A iniciativa conta com o apoio da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, da Fundação Portuguesa do Pulmão, da Sociedade Portuguesa de Oncologia, da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Cardíaca, Torácica e Vascular e do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão.
A divulgação da carta coincide com uma campanha nacional destinada a sensibilizar para o atraso de Portugal na implementação de um programa nacional de rastreio desta doença.
Segundo dados divulgados pela Pulmonale, o cancro do pulmão é responsável, em média, pela morte de 13 pessoas por dia em Portugal, sendo diagnosticados diariamente 16 novos casos.
Os subscritores destacam ainda a importância do diagnóstico precoce, lembrando que o cancro do pulmão é uma das doenças oncológicas em que a deteção atempada pode ter maior impacto na sobrevivência.
Atualmente, cerca de 40% dos casos são diagnosticados em estádio IV, uma fase avançada da doença em que a taxa de sobrevivência a cinco anos é inferior a 10%. Em contrapartida, quando o diagnóstico ocorre numa fase inicial, a sobrevivência a cinco anos ultrapassa os 68%.
Em abril, foi publicado um despacho que previa o início de projetos-piloto de rastreio do cancro do pulmão nas unidades locais de saúde Gaia/Espinho e Santa Maria, em Lisboa. O diploma prevê ainda a possibilidade de alargar estas iniciativas a outras unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mediante despacho do diretor-executivo do SNS.
Nos últimos anos, vários países europeus têm desenvolvido e testado programas organizados de rastreio dirigidos a populações de maior risco, com resultados considerados promissores na redução da mortalidade associada à doença.
Contudo, ainda não existe consenso internacional quanto ao modelo mais adequado para um programa de rastreio populacional, nomeadamente no que respeita aos critérios de elegibilidade, à periodicidade dos exames, à organização dos circuitos assistenciais e à articulação com programas de cessação tabágica.
LUSA/SO
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