Genética e descobrimentos?
Há tempo para pensar e sonhar.
Há tempo para esperar e partir.
Há tempo para hesitar, menos do que para avançar.
Há tempo para decidir e quebrar amarras.
Aos Portugueses, desde Afonso Henriques e até aos nossos dias com vagas de emigrantes por esse mundo fora, essa vontade e o génio romperam medos e receios, gentes e terras, furaram fronteiras e limites quer pelas terras, antes dos Mouros e depois de tantos outros povos…
Inicialmente a epopeia pelo Atlântico e depois pelo Índico e Pacífico interpretada por muitas e muitas dezenas de milhares de marinheiros, soldados, aventureiros, comerciantes e missionários que correram atrás das suas ilusões e desejos…
A Era dos Descobrimentos (entre os séculos XV-XVII) foi, pois, um dos primeiros fenómenos de globalização e deixou uma marca indelével na genética das populações.
As viagens marítimas impulsionaram uma intensa miscigenação e fluxo de genes entre a Europa, África, Ásia e as Américas.
Hoje, ainda um pouco por toda a parte há sinais dos Portugueses em templos religiosos, muralhas, fortalezas e outras edificações, em padrões e nomes ou palavras entretanto assimiladas no destino, legados diversos e que assinalam mais do que uma mera passagem ou estadia fugaz.
O que explica a difusão da língua portuguesa por todos os continentes e que, estando à vista, não como prova de poder pelo poder, mas de poder pela descoberta, pela fusão e pela convivência.
Deixamos hábitos, crenças, lendas e os traços de um modo de ser único quando comparado com os de outras potências coloniais.
Deixamos ainda filhos de sangue mesclado, a “mestiçagem”, uma verdadeira amálgama de linhagem histórica, cultural, civilizacional e assim, também genética.
Se as investigações genéticas referem que a nossa população na contemporaneidade é predominantemente de origem europeia, com marcada influência dos agricultores do Neolítico, a miscigenação pelos Descobrimentos e pelos Castelhanos pouco depois, deu como resultado a forte dispersão de linhagens de ADN materno (dito mitocondrial) e paterno (ligado ao cromossomo Y), combinando as populações ibéricas com os povos indígenas.
O estudo das populações e das suas patologias é extremamente interessante e está a merecer renovado interesse. Poderá ajudar à compreensão de circuito dos fluxos populacionais e ao mapeamento da distribuição das mutações genéticas e de várias doenças hereditárias.
São conhecidos os esforços e desenvolvimento de estudos genéticos sobre judeus, até para pesquisa sobre a cronologia da migração judaica e as origens das profundas divisões étnicas judaicas, agora explicativas de parte relevante do que se passa no Médio Oriente e no Mundo.
De resto e por exemplo, sabe-se que os judeus norte-africanos, italianos e ibéricos tiveram historicamente frequências variáveis de mistura e combinação com a população não-judaica histórica ao longo das linhas maternas, comprovadas em doenças específicas da população judaica.
Aos mais curiosos, recomendo a leitura do polémico livro “Os Khazares – A 13ª Tribo e As Origens Do Judaísmo Moderno” (1976), de Arthur Koestler, um judeu austro-húngaro.
Sem ilusões nem certezas, o pequeno Portugal fez-se no passado grande.
Ao invés de grandes impérios que pela força bruta e crueldade quanta baste subjugaram populações e se perderam no tempo e na História…
*O autor escreve de acordo com o A.A.O.
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