19 Mai, 2026

Especialistas alertam que mundo está menos preparado para nova pandemia do que antes da covid-19

O risco de uma nova pandemia continua a ser elevado e poderá atingir um mundo “mais dividido, mais endividado e menos capaz de proteger as suas populações” do que há uma década, segundo um grupo de especialistas.

Especialistas alertam que mundo está menos preparado para nova pandemia do que antes da covid-19

O mundo está hoje menos preparado para enfrentar uma nova pandemia do que estava antes da crise provocada pela covid-19. O alerta é deixado por um painel internacional de especialistas que, a pedido do Banco Mundial e da Organização Mundial de Saúde (OMS), avaliou durante vários anos o estado da preparação global para futuras emergências sanitárias. As conclusões, divulgadas esta segunda-feira e citadas pela agência Efe, revelam uma deterioração em indicadores considerados fundamentais, incluindo o acesso a vacinas, diagnósticos e outros recursos essenciais para responder rapidamente a surtos infeciosos.

Segundo os especialistas, o risco de uma nova pandemia continua a ser elevado e poderá atingir um mundo “mais dividido, mais endividado e menos capaz de proteger as suas populações” do que há uma década. “Uma década depois de o Ébola ter exposto lacunas perigosas na preparação para surtos e seis anos após a covid-19 ter transformado essas falhas numa catástrofe global, as provas são claras: o mundo já não está seguro contra pandemias”, refere o relatório.

O aviso surge numa altura em que foi declarado um novo surto de Ébola na República Democrática do Congo, poucas semanas após um surto de hantavírus num navio de cruzeiro ter gerado preocupação internacional.

Os autores do estudo sublinham que os surtos de doenças infecciosas estão a tornar-se mais frequentes e mais destrutivos, não apenas do ponto de vista sanitário, mas também económico, com impactos severos nos sistemas de saúde, no comércio e na estabilidade social. Entre os principais fatores apontados para esta fragilidade global estão a insuficiência de investimento em prevenção, o agravamento das tensões geopolíticas, a destruição de ecossistemas, o aumento das viagens internacionais e os cortes na ajuda ao desenvolvimento.

O relatório destaca ainda o agravamento das desigualdades no acesso a vacinas e tratamentos. Como exemplo, os especialistas recordam a resposta internacional ao surto de varíola de 2022, durante o qual os países de baixo rendimento só receberam vacinas quase dois anos após o início da emergência sanitária. “As vacinas contra a varíola chegaram aos países afetados de baixo rendimento ainda mais tarde do que as vacinas contra a covid-19”, assinala o documento.

Perante este cenário, os peritos identificam três prioridades urgentes: a criação de um sistema independente de vigilância de riscos pandémicos, o reforço do financiamento para prevenção e resposta rápida e a garantia de acesso equitativo a vacinas, diagnósticos e tratamentos.

Os especialistas defendem ainda a conclusão do futuro Acordo Global sobre Pandemias, embora reconheçam que persistem profundas divergências entre os países, sobretudo em relação às regras de acesso e partilha de agentes patogénicos e dos benefícios científicos e comerciais daí resultantes.

SO/LUSA

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