2 Abr, 2026

Ordem dos Médicos levanta reservas ao novo curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, reforça que, sem equipas docentes plenamente consolidadas e uma articulação eficaz com os serviços de saúde, existe o risco de iniciar um curso “ainda sem bases suficientemente maturadas”.

Ordem dos Médicos levanta reservas ao novo curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

A Ordem dos Médicos considerou que não estão reunidas as condições necessárias para o arranque do novo curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, previsto para o ano letivo 2026/2027, e solicitou uma reunião urgente com a instituição. Num comunicado enviado à Lusa, a ordem profissional refere ter identificado “um conjunto de insuficiências que suscitam sérias reservas” quanto à abertura do ciclo de estudos, que foi acreditado com condições pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior e autorizado com 40 vagas no próximo concurso nacional de acesso.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, alerta que a formação médica exige padrões elevados desde o primeiro dia. “Não pode iniciar-se com fragilidades estruturais”, sublinhou.

Entre as principais preocupações estão dúvidas quanto à organização do curso, à disponibilidade de recursos humanos qualificados e à consolidação do modelo pedagógico. A ordem aponta ainda a falta de um envolvimento estruturado dos médicos da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro, considerados essenciais para a docência clínica, tutoria e acompanhamento dos estudantes. “A integração efetiva destes médicos é um elemento central para garantir a qualidade e a sustentabilidade da formação”, defende a Ordem dos Médicos.

Carlos Cortes reforça que, sem equipas docentes plenamente consolidadas e uma articulação eficaz com os serviços de saúde, existe o risco de iniciar um curso “ainda sem bases suficientemente maturadas”. A ordem destaca também a atual “instabilidade institucional” na UTAD, associada a um processo eleitoral prolongado e sem desfecho previsível, como um fator adicional de preocupação. “Um curso de Medicina exige estabilidade, liderança clara e confiança institucional. Essas condições são determinantes para garantir um início sólido e credível”, afirmou o bastonário.

A reunião solicitada pela Ordem dos Médicos tem como objetivo avaliar de forma rigorosa as insuficiências identificadas e definir as condições necessárias para assegurar um desenvolvimento “sólido, credível e sustentável” do curso. “O que está em causa é a qualidade da formação médica e, em última análise, a qualidade e segurança dos cuidados prestados aos doentes. Não pode haver margem para iniciar um curso desta natureza sem garantias plenas”, conclui a nota.

SO/LUSA

Notícia relacionada

UTAD e 18 municípios assinam protocolo para curso de Medicina que arranca em 2026/27

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais