24 Mar, 2026

Tuberculose em crianças desce, com 37 casos registados em 2024

A distribuição geográfica mostra uma maior concentração de casos de tuberculose nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal. Entre as crianças até aos cinco anos, Lisboa concentrou 42,1% dos casos, seguida do Porto (26,3%) e Setúbal (15,8%).

Tuberculose em crianças desce, com 37 casos registados em 2024

Portugal registou 37 casos de tuberculose em crianças e jovens até aos 14 anos em 2024, com uma descida entre os mais novos, segundo o Relatório de Vigilância e Monitorização da Tuberculose 2025 divulgado pela Direção-Geral da Saúde no Dia Mundial da Tuberculose. De acordo com o documento, foram notificados 19 casos em crianças até aos cinco anos, correspondendo a uma taxa de incidência de 3,7 por 100 mil — abaixo dos valores registados em 2023 (5,2) e 2022 (6,2). Já no grupo entre os 6 e os 14 anos, registaram-se 18 casos, com uma taxa de 2,1 por 100 mil, idêntica à de 2023. No que diz respeito à vacinação, sete crianças até aos cinco anos (36,8%) e oito entre os 6 e os 14 anos (44,4%) tinham sido vacinadas com BCG.

A distribuição geográfica mostra uma maior concentração de casos nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal. Entre as crianças até aos cinco anos, Lisboa concentrou 42,1% dos casos, seguida do Porto (26,3%) e Setúbal (15,8%). No grupo dos 6 aos 14 anos, Lisboa lidera com 38,9%, seguida de Setúbal (27,8%) e Porto (16,7%). A maioria dos casos nos mais novos ocorreu em crianças nascidas em Portugal, mas há também registos em crianças provenientes de países como Guiné-Bissau, Índia e Paquistão. Já entre os 6 e os 14 anos, predominam os casos em crianças não nascidas em Portugal, oriundas de países como Angola, Brasil, Cabo Verde, China e República Democrática do Congo.

Em declarações, a responsável do Programa Nacional para a Tuberculose sublinhou que a doença em idade pediátrica está diretamente ligada à transmissão por adultos. As crianças constituem um grupo particularmente vulnerável, podendo desenvolver infeção e doença de forma mais rápida mesmo após exposições breves. No total, as crianças e adolescentes até aos 15 anos representaram 2,4% dos 1.536 casos registados em 2024, não tendo sido registadas mortes nesta faixa etária, à semelhança do ano anterior.

O relatório destaca ainda o peso crescente da população migrante, que representou 39,1% dos casos em 2024. A taxa de notificação neste grupo foi de 38,9 por 100 mil habitantes — 2,7 vezes superior à média nacional, ainda que abaixo dos valores de 2023. Segundo os dados, 46,3% dos casos em migrantes ocorreram em pessoas chegadas a Portugal há menos de dois anos, sendo que os países de língua oficial portuguesa representam mais de dois terços das origens.

Geograficamente, a maioria dos casos em migrantes concentra-se em Lisboa, onde o peso tem vindo a aumentar, atingindo 66,5% em 2024. No Porto, mantém-se elevado, enquanto em Beja a população migrante continua a representar a maioria dos casos. Entre os principais fatores de risco nesta população destacam-se a infeção por VIH, a diabetes e a residência em contextos comunitários.

As autoridades de saúde sublinham a importância do rastreio precoce e do acesso facilitado ao diagnóstico e tratamento, que é gratuito em Portugal, bem como o reforço da informação junto das comunidades mais vulneráveis, com o objetivo de reduzir o tempo até ao diagnóstico e travar a transmissão da doença.

SO/LUSA

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