13 Mai, 2026

Bolsas Nuno Grande distinguem investigação sobre Alzheimer, inflamação e insuficiência cardíaca

Segundo Henrique Cyrne Carvalho, presidente do júri das Bolsas de Doutoramento Nuno Grande, as bolsas representam “um contributo decisivo na diferenciação da formação de jovens médicos”, incentivando a integração da investigação científica na prática médica e no ensino.

Bolsas Nuno Grande distinguem investigação sobre Alzheimer, inflamação e insuficiência cardíaca

A edição de 2025 das Bolsas de Doutoramento Nuno Grande distinguiu três jovens médicos investigadores cujos projetos incidem sobre áreas como as doenças inflamatórias crónicas, a deteção precoce da doença de Alzheimer e os mecanismos da inflamação cardíaca. A iniciativa é promovida pela Fundação Bial, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e pela família de Nuno Grande. Pela primeira vez, a edição deste ano foi alargada a todas as universidades portuguesas. As bolsas, no valor de 25 mil euros cada, serão entregues esta quarta-feira numa cerimónia marcada para o Edifício Abel Salazar, no Porto.

Entre os investigadores distinguidos está Daniela Oliveira, médica da Unidade Local de Saúde de Entre Douro e Vouga e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. O projeto da investigadora será desenvolvido no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto e procura aprofundar a relação entre o intestino e a inflamação articular em doentes com espondilartrites, um grupo de doenças reumáticas inflamatórias crónicas frequentemente associado à doença inflamatória intestinal.

Também distinguido foi Francisco Almeida, médico interno de Neurorradiologia da Unidade Local de Saúde Santo António e docente do ICBAS e da Escola de Medicina da Universidade do Minho. O seu projeto centra-se no desenvolvimento de marcadores imagiológicos precoces para doenças neurodegenerativas, em particular a Doença de Alzheimer e a patologia por corpos de Lewy. A investigação analisa o locus coeruleus, uma pequena estrutura do tronco cerebral associada a processos cognitivos e que poderá ser uma das primeiras regiões afetadas pela doença de Alzheimer e outras formas de demência.

O terceiro investigador premiado é Francisco Vasques-Nóvoa, médico da Unidade Local de Saúde São João e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. O seu trabalho propõe uma nova abordagem para compreender a inflamação cardíaca, avaliando simultaneamente a intensidade e a duração da resposta inflamatória. Segundo o projeto, respostas inflamatórias intensas e de curta duração poderão estar associadas a disfunção cardíaca aguda, enquanto inflamações persistentes de baixa intensidade poderão contribuir para alterações estruturais do coração, fibrose e insuficiência cardíaca.

Criadas em 2022, as bolsas homenageiam Nuno Grande, fundador do ICBAS, investigador e antigo administrador da Fundação Bial. Até 2024, o programa destinava-se exclusivamente a estudantes de doutoramento do ICBAS. A partir desta edição, passou a aceitar candidaturas de médicos ligados ao ensino médico em qualquer escola médica portuguesa e inscritos em programas doutorais na área das Ciências Fundamentais em Saúde.

Segundo Henrique Cyrne Carvalho, presidente do júri, as bolsas representam “um contributo decisivo na diferenciação da formação de jovens médicos”, incentivando a integração da investigação científica na prática médica e no ensino. A edição de 2025 recebeu um total de 38 candidaturas.

SO/LUSA

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