Asma e Alergologia. ULS Santa Maria organiza jornadas para Medicina Geral e Familiar
As 2.as Jornadas Santa Maria de Atualização em Asma e Alergologia para MGF vão decorrer nos dias 30 e 31 de janeiro de 2025, em Lisboa. Manuel Branco Ferreira, presidente do evento, faz uma antevisão, alertando para a importância da formação nesta área.

As 2.as Jornadas Santa Maria de Atualização em Asma e Alergologia darão especial enfoque, no primeiro dia, à problemática da asma, seguindo-se, no segundo dia, a doença alérgica e as patologias menos frequentes mas nem por isso menos importantes, como é o caso do angioedema hereditário.
“Os médicos de família são o contacto de primeira linha para a maioria dos doentes e as doenças do foro imunoalergológico são, essencialmente, ambulatórias. Com este evento pretendemos otimizar os cuidados, melhorar as referenciações e estabelecer uma maior proximidade com os médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF)”, afirmou Manuel Branco Ferreira.
O evento vai iniciar-se com o “CPI – Curso Prático de Inaladores na Asma”, para o qual existem bolsas. “Basta contactarem o secretariado da organização do evento, a Prismédica”, informa. Esta ação formativa é considerada como essencial, já que ainda é comum haver doentes que não usam os dispositivos da forma mais correta, pondo em causa a efetividade da terapêutica. “Existem, atualmente, muitos programas e vídeos com ensinos para ajudar os médicos de família, mas quisemos que esta formação, muito prática, permitisse aos colegas manusear os devices e colocar quaisquer dúvidas que tenham.”
Segue-se, ainda, uma sessão sobre espirometria, para que “se possa fazer uma leitura e interpretação rápida do exame”. “Assistimos a algum atraso no diagnóstico, por dificuldades de acesso ao exame, mas também na interpretação das mesmas. Temos melhorado, mas ainda é preciso tornar a sua leitura mais fácil.”
Acrescem outras temáticas no âmbito da asma, nomeadamente a decisão de qual é a terapêutica mais adequada em cada grau terapêutico ou até os desafios na elaboração de um plano de ação para asmáticos. “Este plano é muito importante e podem existir diferentes modelos; o objetivo é debatermos entre todos.”
No segundo dia, haverá mais momentos de formação, como as denominadas “Vinhetas Clínicas”, que são casos clínicos que vão ser debatidos para se alertar para determinadas patologias. Além de se vir a falar de desafios na rinite e rinossinusite, haverá também mesas sobre anafilaxia e uso de adrenalina. “Existe uma portaria que permite ao médico de família prescrever estas injeções, sem que as mesmas tenham qualquer custo para o doente. É preciso alertar para esta situação muito concreta, tendo em conta as várias notícias que ouvimos de pessoas que tiveram uma reação anafilática e que, nesse momento, não tinham adrenalina disponível.”
Ainda no âmbito da anafilaxia, Manuel Branco Ferreira destaca a mesa em que se vai falar de patologias menos frequentes, mas que devem ser referenciadas atempadamente. “É o caso do angioedema hereditário, em que se pode levar até 20 anos para se ter o diagnóstico. Até lá, o doente anda abandonado, tendo situações de edemas recorrentes que são sempre erradamente associados a reações alérgicas, apesar de os anti-histamínicos não terem nenhuma eficácia.”
Continuando: “O facto de esses medicamentos não serem efetivos, é já uma razão para se suspeitar de angioedema hereditário. Basta pedir umas análises ao sangue que são, inclusive, comparticipadas, pelo Estado.”
Acresce ainda a imunodeficiência comum variável, outra patologia que vai ser abordada nas jornadas. “São situações em relação às quais se pode avançar muito no diagnóstico nos cuidados de saúde primários. Nestes casos, falamos das crianças que sempre tiveram várias infeções, mesmo que ligeiras, e a quem lhes são datribuídos epítetos como ‘é mais fraquinho’ ou ‘é flor de estufa’.” “Estes rótulos acabam por impedir que essas crianças sejam referenciadas precocemente e muitas vezes acabam por ter sequelas das múltiplas infeções que foram ocorrendo.”
No final do segundo e último dia, vai decorrer uma mesa que é considerada por Manuel Branco Ferreira como “muito importante”: “Alergias mais comuns a fármacos: quando suspeitar, quando excluir, que critérios para referenciar?”. E explica porquê: “Temos recebido cada vez mais referenciações de alergias a fármacos, o que implica testes e provas de provocação. A nível hospitalar não é possível dar resposta, a tempo e horas, a todas as pessoas; mas a grande maioria também não necessita de cuidados hospitalares, o problema pode ser gerido pela MGF.”
Recorde-se que estas são as segundas jornadas do Serviço de Imunoalergologia da ULS Santa Maria; as primeiras decorreram, no ano passado, na Ericeira. De acordo com o responsável, “foram um sucesso” e “uma forma de aproximar e integrar cuidados de saúde hospitalares e primários”.
Manuel Branco Ferreira sublinha que “a Imunoalergologia foi a primeira especialidade na ULS Santa Maria a criar umas jornadas que contribuíssem para a integração prevista nas ULS”. Para o médico, este tipo de formações e de partilha entre a Imunoalergologia e a MGF sempre foram importantes, mas são-no ainda mais em contexto de ULS. “A nossa ligação com a MGF sempre foi muito positiva e produtiva e, nos próximos anos, queremos que este evento seja cada vez mais um programa da Imunoalergologia e da MGF para a MGF”, conclui.
O evento é organizado pelo Serviço de Imunoalergologia da ULS Santa Maria e pela Clínica Universitária de Imunoalergologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Conta com o patrocínio científico da Ordem dos Médicos, da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e da Associação Portuguesa de Formação Médica Contínua.
MJG
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