11 Out, 2024

Cerca de metade dos médicos portugueses desconhecem a pegada ambiental dos inaladores

Os médicos não costumam ter em consideração a pegada ambiental quando prescrevem inaladores, indica um estudo do Conselho Português para a Saúde e o Ambiente (CPSA).

Cerca de metade dos médicos portugueses desconhecem a pegada ambiental dos inaladores

Cerca de metade dos médicos especialistas portugueses (47,7%) não têm conhecimento sobre a pegada ambiental dos inaladores. A conclusão é  de um estudo apresentado, ontem, na 2.ª edição da conferência “Healthy Planet, Healthy People: A pegada carbónica do setor da saúde”, que decorreu no âmbito do Documento de Consenso “Recomendações para a redução do impacto ambiental dos inaladores”, publicado na revista científica Acta Médica Portuguesa (AMP).

Ainda de acordo com o relatório, 25% dos médicos mais jovens, entre os 25 e 49 anos, estão preocupados com o tema, contrariamente aos  35% dos médicos na faixa etária dos 50-64 anos.

A conferência “Healthy Planet, Healthy People: A pegada carbónica do setor da saúde”, organizada pelo CPSA e a Embaixada Britânica, com o apoio da GSK, evidenciou “a urgência de uma ação conjunta para mitigar o impacto ambiental no setor da saúde, com foco na prescrição de inaladores”.

“É fundamental definir estratégias que permitam aumentar o conhecimento dos profissionais de saúde relativamente ao impacto ambiental da área em que atuam e que contribuam para reduzir a pegada ecológica”, pode ler-se em comunicado.

 Assim, com base nas conclusões  do estudo, foram elaboradas dez recomendações para a diminuição do impacto ambiental dos inaladores e para auxiliar na implementação de práticas sustentáveis. “Por exemplo, haver sempre uma alternativa terapêutica e preferência pelos inaladores de pó seco (DPI) aos pressurizados (pMDI). Nos casos em que os pMDI são necessários, deve escolher-se inaladores com menor volume de HFA (hidrofluoroalcanos).”

A introdução de um mecanismo de alerta sobre a pegada ecológica de cada inalador e a  implementação de estratégias para incentivar a devolução, o reaproveitamento dos dispositivos usados, bem como a monitorização do impacto  destas medidas são passos considerados importantes.

“O trabalho realizado mostra-nos que ainda há um longo caminho a percorrer no tema da sustentabilidade ambiental do setor, principalmente no que diz respeito à prescrição dos inaladores. Importa tornar a sustentabilidade em saúde numa prioridade para todos os intervenientes”, afirma Luís Campos, Presidente do CPSA.

O estudo é uma iniciativa do CPSA, em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPPediatria), a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).

MJG

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