1 Fev, 2024

Mamografia com contraste vs Ressonância Magnética

Inês Gouveia Pereira é especialista em Radiologia na Unidade Local de Saúde Lezíria e é uma das palestrantes do primeiro dia do Breast Cancer Weekend, na sessão “Controvérsias no diagnóstico”.

Mamografia com contraste vs Ressonância Magnética

“A mamografia de contraste e a ressonância magnética são técnicas que se complementam, na área da Imagiologia mamária, uma não substitui a outra”, diz Inês Gouveia Pereira. Na sessão “Controvérsias no diagnóstico”, a especialista vai falar sobre as especificidades da mamografia de contraste e da ressonância magnética no diagnóstico do cancro da mama.

“A escolha da técnica a utilizar deve ser adequada à situação clínica de cada utente. É isso que faz todo o sentido numa era de Medicina Personalizada”, reitera.

Na sua apresentação irá abordar, o papel de ambas as técnicas, no rastreio, diagnóstico, estadiamento e seguimento de cancro da mama e quais são as vantagens e desvantagens de cada uma destas técnicas.

Em entrevista, esclarece que a mamografia de contraste, técnica de introdução mais recente que a ressonância magnética, embora possa ser utilizada no rastreio de cancro da mama, em doentes de alto risco, como utiliza radiação ionizante, acarreta exposição repetida à radiação, o que não se verifica com a ressonância.

Ainda neste âmbito, a médica sublinha que ao permitir o rastreio baseado nas características vasculares dos tumores, tal como a ressonância, pode ser uma alternativa quando não se pode realizar ressonância por existir uma contraindicação para tal.

No diagnóstico de cancro da mama, uma das vantagens da mamografia de contraste é precisamente o seu fácil acesso, já que nos serviços de Radiologia existem muitas solicitações para realização de ressonância, acarretando maior tempo de espera. “No cancro não podemos esperar muito tempo”, alerta.

A especialista destaca ainda outra mais-valia da mamografia. “É mais simples e rápida de realizar e menos onerosa. As doentes tendem a preferir esta técnica por se sentirem mais confortáveis e por a mesma exigir menos tempo de realização.”

Todavia, no caso de próteses mamárias, a técnica de eleição é a ressonância magnética, bem como em tumores em localização profunda pré-peitoral ou no sulco infra-mamário. “Com o tempo de espera para fazer ressonância, a mamografia vai permitir diagnosticar e estadiar o tumor mais rapidamente.”

No seguimento do cancro da mama, a mamografia de contraste é uma mais-valia nas doentes que fizeram cirurgia conservadora, aumentando a probabilidade de se detetarem recidivas numa fase mais precoce.

MJG

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