Saúde mental dos profissionais: como combater o estigma

Joana Barros

Joana Barros

Senior Marketing Executive da Michael Page

À medida que as mentalidades e o mundo corporativo evoluem, cresce a preocupação com promoção de uma cultura da empatia e da compreensão nas empresas, com o objetivo de reduzir os problemas do foro mental e psicológico dos colaboradores, desde os cargos de suporte aos quadros diretivos.

É uma realidade largamente aceite que um colaborador feliz é um profissional mais importante, pelo que o desenvolvimento de um ambiente de trabalho saudável e propício ao seu bem estar deve ser um objetivo das empresas que querem permanecer competitivas.

Embora iniciativas relacionadas com a saúde física – como promoção de exercício e alimentação saudável ou manuais de postura à secretária – estejam já largamente disseminadas nas melhores empresas, o mesmo não acontece com os temas de saúde mental, havendo ainda um estigma associado a questões deste foro.

Muitos colaboradores sentem-se desconfortáveis em assumir problemas que podem ir de “simples” problemas de sono, stress e fases de desmotivação a questões mais complexas como ataques de ansiedade, depressão ou burnout. Isto porque na nossa sociedade, estas temáticas ainda estão muitas vezes associadas a fraqueza ou falta de força de vontade. Na verdade, o problema é bem mais complexo que isso e a saúde mental merece tanta atenção e tratamento adequado como a saúde física, livre de estigmas e associações negativas.

Efetivamente, todos os profissionais se encontram, em diferentes escalas, sujeitos a algum nível de stress, longas horas de trabalho, monotonia, responsabilidades, preocupações e a uma complicada gestão de tempo e de equilíbrio entre vida profissional e pessoal. E os estudos apontam que são os líderes e quadros diretivos aqueles que estão mais sujeitos a um elevado nível de ansiedade.

Face a esta situação, a solução passa necessariamente por criar ferramentas adequadas que ajudem a diminuir estigmas, dar visibilidade a estes problemas e permitam oferecer soluções claras para reduzir os níveis de stress e ansiedade nas empresas.

Do ponto de vista pessoal, os especialistas da Michael Page propõem uma série de recomendações, tais como dormir bem, alimentação equilibrada, meditação e vida social, para poderem trabalhar de forma mais calma e concentrada.

É importante criar uma cultura empresarial aberta e de confiança, que apoie os trabalhadores, independentemente da sua função e responsabilidade. Existem várias ações fundamentais que as organizações podem realizar: reforçar a aproximação entre colaboradores ou equipas e as suas chefias, melhorar a sua qualidade de vida no trabalho (criando, por exemplo, espaços de lazer), mostrar abertura para escutar problemas, promover a reconciliação da vida pessoal com horários mais flexíveis, incorporar atividades lúdicas para ajudar a descontrair e a reduzir o stress, ou mesmo promover consultas de psicologia para quem o desejar.

Acredito numa evolução positiva. Assim como precisámos de um caminho evolutivo até à presente preocupação com a parte física, creio que é uma questão de tempo e de esforço consciente dos vários players da sociedade até chegarmos a um patamar onde as questões de saúde mental não serão mais estigmatizadas, mas sim combatidas, tratadas e aceites como uma extensão da saúde global do ser humano.

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