9 Fev, 2022

Urgência pediátrica no Algarve afetada por surto de covid-19 entre médicos

O impedimento dos médicos em trabalhar “vai provocar dificuldades no atendimento da Pediatria, principalmente em um ou dois períodos”, alertou o diretor clínico do CHUA.

O Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) tem 100 profissionais de saúde infetados com covid-19, o que está a criar dificuldades na elaboração das escalas de serviço, sobretudo na urgência pediátrica, confirma o diretor clínico, Horácio Guerreiro.

Segundo especifica, nas três unidades que integram o centro hospitalar algarvio – Faro, Portimão e Lagos – existia, no domingo, um elevado número de profissionais de saúde infetados com a doença, “originando muitas dificuldades no funcionamento dos serviços”, mas que têm sido “minimizadas” com a ajuda dos outros profissionais.

“Neste momento, a maior dificuldade é na urgência de Pediatria de Faro, onde normalmente temos quatro pediatras de serviço, dois em cada um dos hospitais de Faro e Portimão, e, nesta altura, temos um défice de dois turnos por semana, períodos esses em que contamos com a unidade de Portimão”, sublinha.

Horácio Guerreiro admite que o impedimento dos médicos em trabalhar, devido à infeção pelo novo coronavírus, “vai provocar até ao fim do mês, dificuldades no atendimento da Pediatria, principalmente em um ou dois períodos”.

Ainda assim, o diretor clínico garante que a assistência “não está em causa” e que a urgência pediátrica estará sempre assegurada por outros médicos, existindo em permanência um pediatra nos cuidados intensivos pediátricos que pode dar apoio no atendimento.

“Nunca há falta de médicos no hospital para garantir a assistência dos casos urgentes”, reforçou, sublinhando que as situações graves “são sempre atendidas”. No entanto, se forem situações consideradas intermédias, que possam ser adiadas, a assistência é feita no turno seguinte, ressalvou o diretor clínico do CHUA.

De acordo com o diretor clínico do CHUA, os problemas no serviço de Pediatria não são só provocados pela covid-19, já que se trata de um serviço onde só existem três médicos com idade legal – menos de 55 anos -, para assegurar as urgências. “Diria que o problema da Pediatria é crónico e muito dramático em quase todo o país, porque a maior parte dos hospitais não tem pediatras em número suficiente para assegurar as suas urgências”, apontou.

LUSA

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