23 Jul, 2025

Tratamentos para a hepatite C ultrapassam os 36.300 com taxas de cura de 97%

As taxas de cura de hepatite C, em Portugal, atingiram quase os 100%, o que reflete uma melhoria na resposta aos doentes e as mais-valias de se prescrever o tratamento a todas as pessoas, sem qualquer estigma.

Tratamentos para a hepatite C ultrapassam os 36.300 com taxas de cura de 97%

Os tratamentos para a hepatite C ultrapassaram os 36.300, com taxas de cura acima de 97%, ou até 98%, no caso da população reclusa, de acordo com o relatório do Programa Nacional para as Hepatites Virais (PNHV) 2025, hoje apresentado em Matosinhos.

No documento da Direção-Geral da Saúde (DGS), também se destaca que, em 2024, registaram-se menos internamentos por hepatite C crónica e mais transplantes hepáticos, com queda nos casos associados a hepatites B e C.

Além disso, nos últimos dois anos, registou-se uma redução em 40% do número de dias entre a autorização do tratamento da hepatite C e o seu início. “A taxa de cura é de quase 100%. Isto é único em medicina. Uma pessoa tem uma doença há 30 ou 40 anos, que a pode matar, que provoca cancro do fígado, toma uns comprimidos (sem efeitos secundários) durante uns meses, e fica quase 100% curada. Isto é único e um dado muito positivo de Portugal”, resumiu o diretor do Programa

O responsável chamou a atenção, também, a percentagem “brutal” de 97% de cura e eliminação “quase completa” no contexto da diálise, assim como a “brutal” redução do número de internamentos. E os benefícios acabam por se repercutir na sociedade. “A pessoa quando elimina o vírus deixa de contagiar outras e doença quase que para: se não tem cirrose, não vai ter; e se tem, é reduzido o risco de ter cancro do fígado. Se for mulher, deixa de transmitir aos filhos. Deixa de existir o contágio sexual. O vírus podia afetar o funcionamento do cérebro e, nesse aspeto, também se registam melhorias”, referiu.

De acordo com o relatório, o número de tratamentos autorizados apresentou um aumento de 7%, em relação ao ano anterior (2.216), contudo, o tempo de espera entre pedido e início de tratamento ainda é excessivo e marcado por assimetrias a nível nacional.

“Assim, mantém-se como objetivo do programa a promoção do acesso imediato ao tratamento da hepatite C no momento da prescrição médica, de forma a garantir a ligação dos doentes aos cuidados de saúde.”

Recorde-se que, em 2015, Portugal adotou a estratégia de tratar, com antivirais de ação direta (AAD), todas as pessoas que vivem com hepatite C, independentemente do estadio da doença. “Esteja preso, seja pobre, seja rico, tenha 80 anos, não interessa. O que interessa é tratar as pessoas de uma forma gratuita. Há poucos países no mundo, mesmo na Europa, que deem a toda a gente, sem estigma – Portugal é muito bom nesse aspeto, não estigmatizar nem criminalizar quem tem uma vida diferente.”

No relatório é mesmo destacado que Portugal foi um dos primeiros países, a nível europeu e mundial, a implementar esta estratégia de tratamento que visa a eliminação da hepatite C até 2030, “em absoluto alinhamento com as metas da Organização Mundial de Saúde (OMS)”.

Destaca, também, as melhorias registadas na recolha e integração de dados sobre hepatites virais em Portugal, com aumento significativo nas notificações de hepatite A, B e C, o que reflete uma melhoria na articulação entre notificações clínicas e laboratoriais.

A realização de testes de rastreio e a prescrição da ALT [Alanina Aminotransferase] nos cuidados de saúde primários também melhorou, o que contribui para uma avaliação mais ampla da saúde hepática. O número de prescrições subiu de 1,6 milhões em 2019 para 2,6 milhões em 2024, segundo o relatório.

SO/LUSA

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