A evolução na tomada de decisão no tratamento do AVC isquémico agudo «tem sido muito dinâmica, e, assente na evidência científica, tem permitido incluir um maior número de doentes no acesso a tratamento de revascularização arterial cerebral», afirma a Prof.ª Elsa Azevedo, diretora do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de São João e atual coordenadora para a área cerebrovascular do Programa Nacional de Doenças Cérebro-cardiovasculares da Direção-Geral da Saúde.

Uma vez que esta revascularização se associa a uma maior probabilidade de recuperação dos défices e de autonomia nas atividades da vida diária, «isto significa que conseguimos agora salvar mais doentes de uma incapacidade permanente, ou mesmo de um desfecho fatal a curto prazo».

De acordo com a especialista, a evolução do conhecimento «leva-nos a ser mais inclusivos relativamente a pessoas com problemas de saúde prévios, permite-nos selecionar os doentes de forma mais inteligente, com apoio tecnológico, para o tratamento mais adequado, mas diz-nos também que devemos evitar demorar na supra-seleção, para não corrermos o risco de tratarmos tarde demais, futilmente».

No entanto, «para podermos ser úteis à nossa população, numa doença muito grave mas com resultados de tratamento extremamente sensíveis ao tempo decorrido desde os sintomas, é imprescindível que as pessoas saibam reconhecer o AVC logo desde a sua instalação e telefonem para o 112, pois o INEM proporcionará o melhor encaminhamento do doente para centros de tratamento ativo».

No Dia Nacional do Doente com AVC, «mas também nos restantes 364 dias do ano, é crucial divulgar que a instalação súbita de um dos 3Fs – dificuldade em Falar, desvio da Face ou falta de Força de um lado do corpo, como num braço – é motivo para se acionar de imediato a Via Verde do AVC, ligando para o 112. É também importante divulgarmos, nesta fase de infeção por COVID-19, que a Via Verde do AVC se mantém ativa, assim como os tratamentos de revascularização na fase aguda».

SO

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