2 Abr, 2018

Tecnologia inovadora pode detetar diabetes 10 anos antes do diagnóstico

Para já, a tecnologia, que consegue detetar metabólitos a um nível molecular, vai começar a ser introduzida apenas no serviço nacional de saúde britânico. Para além de melhorar a qualidade de vida dos doente, ao prevenir o aparecimento de complicações associadas à diabetes, existe a expectativa de que esta técnica inovadora possa poupar muito dinheiro aos sistemas de saúde.

Ninguém sabe o número certo mas estima-se que em Portugal já existam mais de 1 milhão de diabéticos. Cerca de metade não sabe que tem a doença. Muitas pessoas só descobrem quando começam a sentir o aparecimento de complicações associadas à diabetes: doença coronária, hipertensão, neuropatia, perda de visão. Agora, uma tecnologia inovadora, desenvolvida no Reino Unido, deverá conseguir detetar os primeiros sinais da doença muito tempo antes de esta começar a degradar a nossa saúde.

A técnica, chamada “Benchtop NMR facility”, consiste em análises ao sangue e à urina do paciente. O equipamento pioneiro que analisa as amostras recolhidas consegue detetar metabólitos a um nível molecular, o que significa que as condições que propiciam, por exemplo, o desenvolvimento da Diabetes tipo 2 podem ser identificadas muito tempo antes de a doença se instalar.

“Os testes que conduzimos são pioneiros e os primeiros deste género”, garante o professor Martin Grootveld, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi esta universidade que, juntamente com a empresa tecnológica Magrite, desenvolveu esta tecnologia, que irá permitir aos médicos identificar aspetos a melhorar – por exemplo, ao nível dos comportamentos alimentares -, de modo a prevenir o aparecimento de doenças associadas à diabetes e, assim, melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Os investigadores responsáveis pela técnica, que garantem que vai possível detetar o aparecimento de diabetes até dez anos antes de os níveis de açucar no sangue ultrapassarem os valores normais, esperam que os utilizadores do NHS ( o serviço nacional de saúde britânico) possam começar a usufruir desta tecnologia dentro de três anos.

Para além das vantagens traz ao nível da qualidade de vida, a previsão é a de que o “Benchtop NMR facility” permita também poupar muitas centenas de milhões de euros ao sistema de saúde inglês. “A diabetes é uma doença que custa biliões de libras ao NHS todos os anos. Entre 4 a 6% desses custos são evitáveis através de um diagnóstico e tratamento precoces”, diz o médico Philippe Wilson, que ajudar a desenvolver a técnica.

Tiago Caeiro / SO

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