26 Set, 2019

SNS perdeu 2 mil auxiliares em sete anos

Sem perspetivas de carreira nem de valorização salarial e obrigados a trabalhar por turnos (fins de semana e feriados incluídos), muitos desistem. Há doentes que comem às "3 da tarde", denuncia o sindicato.

Ao mesmo tempo que era reforçado o número de médicos e enfermeiros, o SNS perdia, entre 2011 e 2018, quase 2 mil auxiliares – trabalhadores que tratam da higiene e alimentação dos doentes, entre outras tarefas. Também o número de assistentes técnicos diminuiu no mesmo período, avança o jornal Público.

Os dados constam do Relatório Social do Ministério da Saúde e do SNS. Há menos 1600 assistentes técnicos – são agora 15.890. Já o número de auxiliares desceu de 27 mil para pouco mais de 25 mil.

A carência destes profissionais nos hospitais reflete-se “atrasos e faltas no cuidados” prestados aos doentes, alerta o presidente do Sindicato Independente dos Técnicos Auxiliares de Saúde. Paulo de Carvalho revela, ao Público, casos de pessoas que “comem às três da tarde” porque existe apenas “um auxiliar para 20 pessoas” e há outros que podem “ficar duas horas ensopados em urina”.

O Ministério da Saúde não explica a razão do desinvestimento nestes profissionais – essenciais para o funcionamento de qualquer hospital – mas os motivos não estarão relacionados com restrições orçamentais, uma vez que os auxiliares auferem o salário mínimo (atualmente fixado nos 635 euros para o setor público). Sem perspetivas de carreira nem de valorização salarial e obrigados a trabalhar por turnos (com noites e feriados), muitos desistem, o que cria instabilidade nas contratações.

Segundo o sindicato, para suprir as necessidades reais do SNS seria preciso contratar 4500 novos auxiliares. A tutela contrapõe e realça que, além destas “autorizações casuísticas”, para este ano está prevista a entrada de 710 assistentes operacionais e mais 162 assistentes técnicos.

TC/SO

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