Sindicato acusa Governo de agravar falta de enfermeiros no INEM
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses acusa o Governo de agravar a escassez de enfermeiros no INEM, alegando que o executivo continua a impedir o preenchimento de 34 vagas disponíveis. Situação compromete a operacionalidade de ambulâncias e serviços de urgência.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) responsabilizou o Governo pela falta de enfermeiros no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), alegando que a situação se tem vindo a agravar desde que o instituto passou a estar sob a tutela direta da ministra da Saúde.
“O executivo não autoriza o preenchimento das vagas que constam no mapa de pessoal do INEM”, afirmou à agência Lusa o dirigente sindical Rui Marroni, revelando que foi já solicitada uma reunião de urgência com os responsáveis do instituto.
De acordo com o SEP, a carência de profissionais está a gerar um volume excessivo de trabalho extraordinário e a comprometer a operacionalidade das ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), bem como o funcionamento dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). O INEM tem atualmente 34 vagas por preencher.
“A falta de enfermeiros é transversal a todas as unidades operacionais do INEM e compromete não só a capacidade de resposta dos meios existentes, como a possibilidade de abrir novos recursos de socorro”, alertou o sindicalista.
Entre os exemplos apontados está a ambulância SIV de Estremoz, que ficou algumas horas inativa em junho por falta de enfermeiro, situação que, segundo o SEP, se repete noutras localidades.
Rui Marroni criticou ainda a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmando que a passagem do INEM para a sua dependência direta não trouxe soluções, mas antes agravou os problemas da instituição.
“Disse que ia dedicar 70% do seu tempo ao INEM, mas o tempo que está a dedicar não está a ser produtivo, porque os problemas continuam por resolver e estão a agravar-se”, sublinhou.
O SEP denuncia também o atraso no pagamento de trabalho extraordinário aos enfermeiros, que se terá prolongado durante meses, responsabilizando a ministra por retirar competências ao conselho diretivo do INEM, o que, afirma, gerou instabilidade e dificultou a gestão operacional.
A decisão de Ana Paula Martins de assumir diretamente a tutela do INEM foi tomada em novembro de 2024, na sequência da greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, justificando então a necessidade de uma “prioridade enorme” dada à instituição.
O Governo anunciou a intenção de avançar com uma “refundação” do INEM, prevendo no seu programa a transformação do instituto numa Autoridade Nacional de Emergência Médica. O objetivo é garantir serviços mais eficazes, sustentáveis e com maior controlo de gestão.
Neste contexto, foi criada uma comissão técnica independente que está a avaliar o funcionamento do INEM e deverá apresentar uma proposta para um novo modelo organizativo.
LUSA/SO
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