23 Jul, 2025

Ministra da Saúde rejeita ligação direta entre morte em Bragança e greve do INEM

Ana Paula Martins garante que “não desistirá de resolver os problemas” do INEM, mas afirma que o relatório da IGAS não estabelece relação causal entre a morte do utente e a greve dos técnicos de emergência.

Ministra da Saúde rejeita ligação direta entre morte em Bragança e greve do INEM

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou esta segunda-feira que o relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) não estabelece uma ligação direta entre a morte de um utente, em Bragança, a 31 de outubro de 2024, e a greve dos técnicos do INEM nesse período. A governante frisou, contudo, que o caso revela falhas no atendimento que não se podem repetir.

Em declarações aos jornalistas, sem espaço para perguntas, Ana Paula Martins garantiu que continuará empenhada em resolver os problemas estruturais do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

“O relatório não faz uma ligação direta entre esta morte e a greve”, afirmou, citando a IGAS: “O quadro clínico da vítima inviabiliza, nestas circunstâncias, o estabelecimento de um nexo de causalidade entre o atraso no atendimento por parte do CODU e a morte ocorrida”.

Apesar disso, reconheceu que houve “atrasos claros na prestação de socorro” e que o Governo não se dá por satisfeito com a inexistência de uma relação causal direta, garantindo que o mau funcionamento “não se voltará a repetir”.

O relatório da IGAS indica que o utente, um homem de 86 anos, vítima de enfarte agudo do miocárdio, teria uma probabilidade reduzida de sobrevivência, mas essa poderia aumentar com manobras de suporte básico de vida iniciadas de imediato. O socorro demorou 1h20 a chegar.

Ainda segundo o relatório, apesar da demora na resposta, não foi possível imputar culpas aos trabalhadores do CODU, atendendo ao elevado número de chamadas reencaminhadas pela linha 112 e ao contexto de greve.

A IGAS já concluiu investigações relativas a seis das 12 mortes ocorridas durante as greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar, em finais de 2024. Em duas delas, concluiu haver ligação entre o atraso no socorro e o desfecho fatal. No caso de Bragança, não houve essa conclusão.

No final de junho, perante um relatório que identificava falhas no socorro a outro utente, a ministra já tinha rejeitado demitir-se ou reconhecer uma ligação direta com a paralisação.

As greves realizadas no outono de 2024, sobretudo às horas extraordinárias, provocaram atrasos no socorro e evidenciaram a escassez de recursos humanos no INEM. Atualmente, o instituto atende diariamente cerca de 4.400 chamadas, das quais 800 correspondem a casos de prioridade máxima.

LUSA/SO

Notícia relacionada

IGAS investiga morte de bebé prematuro após parto em ambulância

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais