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Se fosse difícil, mas nem é…

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As consequências da ânsia de especialização médica na fragmentação de cuidados de saúde estão a tornar-se assustadoras e o desafio já para este século, em particular nos Cuidados Primários, só poderá ser o de apostar numa melhor coordenação das diversas intervenções e na continuidade do processo assistencial.
De algum modo, a evolução tecnológica dos médicos também, se resolveu problemas terá provocado outros, porventura bem mais intrincados e de dimensões ainda não totalmente apercebidas.
A escalada dos custos, designadamente farmacêuticos, as novas exigências orçamentais e o custo acrescido do aprofundamento do estudo diagnóstico e de monitorização das doenças, a par do envelhecimento populacional e suas co-morbilidades, abre portas a pressões graves sobre os Cuidados Primários.
A chamada polifarmácia é um exemplo e poderemos complicar se pensarmos nos over-the-counter, os OTC, ou nos suplementos alimentares.
A Alemanha tem em curso uma discussão interna sobre o tema e muitos são os estudos em curso, investigando em múltiplas direcções: os factores sociais e demográficos, os económicos, o peso da carga de doença em geral e das patologias crónicas em especial, o sistema de saúde e aqui, os que se possam relacionar com os prescritores, os doentes, as comparticipações e o livre acesso aos fármacos.
Em Itália e na Alemanha, como em outros países europeus, os dados que retratam a questão da gestão de doença por múltiplos actores médicos em simultâneo, apontam para uma expressão clara e em crescendo da perturbação causada por prescrições diferentes e/ou repetida que, para os doentes, não é perceptível mas é perigosa.
A ideia de que os suportes informáticos aumentam a segurança dos pacientes neste domínio está longe de ser validada e o erro, a margem de erro, está do lado do utente principalmente nesta altura.
É por isso que a coordenação de cuidados e a gestão de uma continuidade eficiente é essencial numa boa prática nos Cuidados Primários.
O peso das doenças crónicas mais prevalentes eleva esta necessidade e tendo em conta a diabetes, a hipertensão arterial, a asma ou a doença pulmonar obstrutiva crónica, a depressão ou as demências ou a insuficiência cardíaca, uma estratégia clara para o circuito de informação em torno de cada doente é inequivocamente indispensável.
A verdade é que, se em Portugal os Cuidados Primários e quem os gere, e até quantos tinham a obrigação de pensar e que estão reunidos em estruturas criadas para o efeito, nada se fez nem se planeou, por outras latitudes há uma década que se trabalha nessa aposta – a informational continuity. (1)
O conceito é simples e imediato, é a consideração da coordenação de cuidados apropriados, em tempo adequado, numa linha de continuidade da informação clínica, partilhada entre todos os agentes dispensadores de assistência, susceptível de uso e transferência em permanência, para suporte a uma decisão médica de qualidade.
E diria mesmo que se assume como uma obrigação ética na promoção da saúde e na linha do seguimento dos nossos doentes.
Talvez por esta razão, para o Ministério da Saúde, não seja prioritário.

(1) Can Fam Physician 2009; 55: 624-5.e1-5

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