3 Nov, 2021

Quedas de idosos em casa motivaram 45 mil idas às urgências em 2020

Acidentes em casa aumentaram de forma mais significativa na população idosa devido aos confinamentos e sedentarismo.

De acordo com dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), em 2020 as idas às urgências devido a acidentes em casa e de lazer aumentaram 13% na população com mais de 65 anos. As quedas, que representam 90% dos acidentes, levaram mais de 45 mil pessoas às urgências, noticia o jornal i.

Em ano de pandemia, foi registado um aumento no número deste tipo de acidentes, os quais foram motivados pelos consecutivos confinamentos e pelo aumento do sedentarismo. No entanto, segundo assinala o INSA, a subida destes casos foi mais significativa nos idosos: em 2018 e 2019, os acidentes na faixa etária acima dos 65 anos representaram 29% do total e em 2020 esta percentagem subiu para os 34%. Ainda, as mulheres representaram, entre 2018 e 2020, 65% destes episódios.

De acordo com a investigadora Monserrat Conde, o aumento de lesões em ano de pandemia era expetável, uma vez que nenhum país foi totalmente eficiente na prevenção dos riscos associados ao confinamento junto da população mais velha. No entanto, a professora da Universidade do Algarve reforça que já antes deste período era notório o défice na prevenção nesta área em Portugal.

“Alguns países conseguiram organizar-se de forma diferente, aproveitaram melhor os meios de comunicação e mesmo a televisão para promover exercícios. Existem várias iniciativas louváveis em vários pontos do país, mas não existe uma estratégia nacional de prevenção de quedas que leve a uma abordagem mais uniforme a nível nacional”, revela Monserrate Conde.

Segundo sublinha a investigadora, cuja tese de doutoramento se focou na adoção de programas de prevenção de quedas à realidade dos idosos portugueses, é fundamental fornecer informação que contrarie a ideia de “que estar parado” é melhor e quebrar a atitude “fatalista” em relação às quedas. “As pessoas dizem que caem porque tem de ser, porque estão velhas. Não existe por vezes a perceção do que pode ser prevenido, de que há exercícios que podem ajudar a prevenir as quedas”, comentou.

Entre os principais fatores de risco para este tipo de acidentes está a perda de força nos membros inferiores, medicação desadequada ou outras doenças de base descompensadas. A esta lista, o INSA acrescenta, ainda, o peso dos problemas de visão, audição, doenças que afetem o equilíbrio e alterações na locomoção e fatores extrínsecos como chão escorregadio, piso irregular ou tapetes soltos.

Em 2020, o número de mortes nos hospitais relacionadas com acidentes domésticos e de lazer de idosos com mais de 65 anos duplicou de 50 para 107 óbitos.

SO

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