15 Out, 2020

Quase 11 mil doentes colocados em cuidados continuados desde março

E mais de mil idosos em lares, entre março e setembro. Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados tem dado resposta "muito positiva", diz uma das coordenadoras

Perto de 11 mil doentes que estavam internados nos hospitais públicos foram colocados em unidades de cuidados continuados e mais de mil idosos em lares, entre março e setembro, para libertar camas nos hospitais.

Os números foram avançados nesta terça-feira por Cristina Caetano, uma das coordenadoras da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) na Comissão de Saúde, onde foi ouvida juntamente com a outra coordenadora, Purificação Gandra, a pedido do PS para obter esclarecimentos relativamente à rede.

Destacando que a pandemia “veio interferir com várias áreas”, Cristina Caetano avançou que se procurou que fosse priorizada a referenciação de pessoas internadas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) por forma a libertar camas – situação que ocorreu também no âmbito da Segurança Social, onde foram dadas orientações nesse sentido.

Assim, entre o início da epidemia em Portugal, em março, até setembro foram colocadas em lares de idosos 1.060 pessoas e 10.920 em resposta da rede de cuidados continuados.

Segundo Purificação Gandra, “são acompanhadas diariamente 396 unidades de internamento entre rede geral e as respostas de saúde mental que também têm doentes internados, com cerca de 9.500 doentes”.

“Perante a gravidade da atual pandemia de Covid-19, a rede foi confrontada com um desafio acrescido a que tem dado resposta de uma forma muito positiva”, considerou a coordenadora, acrescentando que “tem sido possível controlar a disseminação de Covid-19 nas unidades com um mínimo de doentes e profissionais infetados”.

A testagem dos profissionais tem sido “uma estratégia constante”, tendo sido realizados já 17.700 testes aos profissionais da rede de cuidados continuados.

“A vacinação contra a gripe já foi iniciada com uma adesão significativa”, estando já cerca de 70% das unidades com os doentes vacinados e a avançar para os profissionais, salientou ainda.

 

Parceiros não se podem demitir das suas responsabilidades

Traçando um retrato da RNCCI, Purificação Gandra afirmou que, apesar de 85% dos doentes terem mais de 65 anos, a rede “não é nem pode ser considerada” como um lar para idosos.

“Não é uma resposta permanente ou definitiva. É uma resposta a cuidados de saúde com apoio social na procura da melhor resposta aos doentes e famílias com vista ao seu regresso ao domicílio o que é conseguido em cerca de 77% das situações”, sublinhou.

Destacando que a RNCC “vive e é sustentada pelo trabalho” que faz com os parceiros, a responsável defende que este trabalho conjunto “produz os resultados da rede”, mas que “os parceiros [as unidades do setor social e privado] não se podem demitir das suas responsabilidades”.

“Os parceiros sociais e privados têm sido sempre uma mais valia, mas isso não os pode demitir de fazer parte da solução e não entender que o problema é para ser resolvido pelo SNS ou pelo Estado”, argumentou, ressalvando que “na maior percentagem das unidades, o trabalho é construtivo sempre, independentemente das dificuldades” que todos passam.

LUSA/SO

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