5 Mai, 2026

Projeto do Politécnico de Leiria quer alargar acesso à reabilitação respiratória com modelo híbrido

Investigadoras do Politécnico de Leiria lançaram um projeto que combina sessões presenciais e acompanhamento digital para melhorar o acesso à reabilitação respiratória. A iniciativa pretende ultrapassar barreiras como distância, horários e falta de recursos, que limitam a adesão dos doentes.

Projeto do Politécnico de Leiria quer alargar acesso à reabilitação respiratória com modelo híbrido

A dificuldade de acesso à reabilitação respiratória em Portugal levou as investigadoras Joana Cruz e Sandra Neves, do Instituto Politécnico de Leiria, a desenvolver o projeto ‘SCALE UP’, com o objetivo de melhorar a resposta a pessoas com doenças respiratórias crónicas.

A iniciativa pretende aumentar o acesso, a adesão e a manutenção dos benefícios destes programas, através de uma intervenção híbrida, centrada na pessoa, que combina sessões presenciais com acompanhamento remoto apoiado por tecnologia digital.

Numa fase inicial, o projeto foca-se em doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), uma patologia altamente prevalente e incapacitante, mas a solução deverá ser posteriormente alargada a outras doenças respiratórias.

Segundo as investigadoras, apenas entre 0,5% e 1% das pessoas com indicação para reabilitação respiratória têm atualmente acesso a estes programas em Portugal.

Entre os principais obstáculos à adesão estão a distância aos centros especializados, dificuldades de transporte, incompatibilidade de horários, limitações de recursos nos serviços de saúde, fatores motivacionais e a dificuldade em manter a prática de exercício após o fim dos programas presenciais.

O modelo híbrido proposto procura responder a estas barreiras, introduzindo maior flexibilidade e acessibilidade, sem comprometer a qualidade e segurança da intervenção.

Na prática, o programa combina momentos presenciais de avaliação e treino supervisionado com sessões realizadas em casa, acompanhadas à distância por profissionais de saúde, através de uma plataforma digital que permite monitorizar a evolução e ajustar o plano terapêutico.

Este modelo pretende reforçar o envolvimento ativo dos doentes, apoiar a autogestão da doença e promover a manutenção dos ganhos funcionais e comportamentais a longo prazo.

O projeto segue uma abordagem participativa, envolvendo profissionais de saúde, instituições e utentes na sua conceção.

Numa primeira fase, está em curso a recolha de dados sobre práticas atuais e necessidades. Seguir-se-á um processo de cocriação, com desenvolvimento e teste de protótipos, tendo em vista a sua implementação e avaliação em unidades locais de saúde.

O ‘SCALE UP’ inclui ainda um estudo Delphi com especialistas internacionais para definir os componentes essenciais de um programa híbrido, bem como a análise de requisitos de segurança e sustentabilidade tecnológica.

Com duração prevista de três anos, o projeto conta com financiamento do programa COMPETE2030 – Portugal 2030 e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, no valor de cerca de 250 mil euros.

A iniciativa envolve uma equipa multidisciplinar de três unidades de investigação do Politécnico de Leiria: ciTechCare, LiDA e CIIC.

LUSA/SO

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