24 Mar, 2026

Portugal regista mínimo histórico de casos de tuberculose, mas persistem desafios

Em 2024, foram ainda notificados 36 casos de tuberculose multirresistente, mais 63,6% do que em 2023, concentrados sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Portugal regista mínimo histórico de casos de tuberculose, mas persistem desafios

Portugal registou 1.536 casos de tuberculose em 2024, o número mais baixo de sempre, confirmando a tendência de descida da doença no país, segundo o Relatório de Vigilância e Monitorização divulgado pela Direção-Geral da Saúde no âmbito do Dia Mundial da Tuberculose. De acordo com o documento, a taxa de notificação fixou-se nos 14,3 casos por 100 mil habitantes, representando uma redução de 31,8% face a 2015. Ainda assim, Portugal continua aquém das metas definidas pela Organização Mundial da Saúde, que apontam para uma diminuição de 90% da incidência até 2035. A evolução foi também positiva ao nível da mortalidade, com 50 mortes registadas em 2024, menos cerca de 70% em comparação com 2015, aproximando o país dos objetivos internacionais.

As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte continuam a concentrar a maior incidência da doença, com 17,1 e 16,4 casos por 100 mil habitantes, respetivamente. Esta realidade é explicada pela maior densidade populacional, pela presença de grupos vulneráveis e por fatores urbanos como a sobrelotação. Do total de casos registados, 1.418 correspondem a novos diagnósticos e 118 a retratamentos. Os homens continuam a ser os mais afetados, representando 64,4% dos casos, enquanto as crianças e jovens até aos 15 anos correspondem a 2,4%.

O relatório destaca ainda a maior vulnerabilidade da população migrante, cuja taxa de notificação é 2,7 vezes superior à média nacional. Em 2024, este grupo representou 39,1% dos casos, um aumento face aos 35,7% registados no ano anterior.

Apesar dos progressos, persistem desafios significativos. O tempo médio entre o início dos sintomas e o tratamento manteve-se nos 81 dias, um intervalo considerado elevado pelas autoridades de saúde. A demora na procura de cuidados continua a ser um dos principais obstáculos, o que reforça a necessidade de melhorar a literacia em saúde e a proximidade dos serviços. Em 2024, foram ainda notificados 36 casos de tuberculose multirresistente, mais 63,6% do que em 2023, concentrados sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo. A maioria dos casos ocorreu em homens e em pessoas migrantes, principalmente oriundas de Angola, Brasil e Guiné-Bissau.

A taxa de sucesso do tratamento atingiu 82,1%, o valor mais elevado dos últimos anos, refletindo a qualidade do acompanhamento clínico em Portugal, embora ainda abaixo das metas internacionais. O relatório sublinha também o aumento do rastreio, com 4.315 casos de infeção latente tratados em 2024, o valor mais alto de sempre.

Apesar da evolução global positiva, a Direção-Geral da Saúde alerta para uma desaceleração no ritmo de redução da incidência entre 2020 e 2024, associada ao aumento da tuberculose multirresistente e à concentração da doença em grupos vulneráveis.

As autoridades recordam que a tuberculose é uma doença prevenível e com cura, apelando à sensibilização para sintomas como tosse persistente e perda de peso, bem como ao combate ao estigma, considerado essencial para promover o diagnóstico precoce e o acesso atempado a cuidados de saúde.

SO/LUSA

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