Portugal não está preparado para a doença mental nos idosos

A Sociedade Portuguesa de Psiquiatria avisa que Portugal não está preparado para a doença mental na terceira idade, sobretudo na questão das demências.

Na véspera do arranque do Congresso Mundial de Psiquiatria, na terça-feira, o vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental indicou que os serviços de saúde portugueses “não estão preparados para o que já está a acontecer e para o que aí vem” ao nível do problema das demências.

Em entrevista à agência Lusa, Pedro Varandas recordou o “problema demográfico” de Portugal, com uma população envelhecida e que terá uma forte carga de doença mental.

“A nossa pirâmide demográfica está completamente invertida. Devemos estar já muito preocupados com o que ainda não está a ser feito para preparar os tempos vindouros”, afirmou à Lusa.

O psiquiatra entende que se trata de um “problema sério”, que precisa de respostas a várias questões: “Como cuidar destas pessoas? Com que dinheiro e com que recursos? Como apoiar as famílias?”.

O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria indica ainda que é preciso definir como vai ser usado o Serviço Nacional de Saúde e de que forma será feita a articulação com a rede de lares existentes, que tem de estar preparada para prestar cuidados de qualidade.

Para Pedro Varandas, trata-se de uma área que “precisa de recursos”, mas que não são pesados do ponto de vista financeiro.

“São recursos exequíveis e não são largas centenas de milhares de euros. É necessário sobretudo investimento em recursos humanos. Não é uma área que exige grande peso tecnológico. O que exige é organização e implementação”, sustentou.

O psiquiatra recorda que Portugal tem na área maternoinfantil e no combate à toxicodependência dois grandes “exemplos de sucesso, até mundial”, que deviam servir de impulso para tornar a área da saúde mental uma prioridade.

“Agora, 40 anos depois do início do SNS, devíamos pegar na saúde mental como o novo caso de sucesso”, sugere.

Pedro Varandas entende que já chegou o tempo de passar da teoria à prática, deixando apenas de dizer que a saúde mental deve ser uma prioridade e passando efetivamente a tornar a área uma prioridade nacional.

Os cuidados de saúde mental na terceira idade são um dos grandes temas a abordar no Congresso Mundial de Psiquiatria, que decorre em Lisboa entre quarta-feira e sábado e onde são esperados cerca de quatro mil participantes e peritos.

Além do planeamento em saúde mental, o Congresso vai debruçar-se sobre várias áreas clínicas da saúde mental, como as psicoses ou o suicídio. Serão ainda abordados temas ligados à ética, ao estigma da doença mental e aos direitos dos doentes.

SO/Lusa

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