Pneumologistas alertam para papel fundamental do rastreio ao cancro do pulmão
Em 2023, o cancro do pulmão foi responsável por 4.490 mortes, o valor mais elevado em 20 anos. Face a esta realidade "preocupante", a Sociedade Portuguesa de Pneumologia apela à implementação do rastreio e a medidas preventivas.

O rastreio tem um papel fundamental na deteção precoce do cancro do pulmão, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP). A entidade apela, assim, a um reforço na coordenação entre os cuidados de saúde primários (CSP) e a Pneumologia/Oncologia.
Em comunicado, a SPP pede “protocolos claros de triagem” para que se consiga um encaminhamento precoce, de modo a se reduzir os tempos de espera e as burocracias para o seguimento correto dos doentes.
Daniela Madama e Joana Catarata, da Comissão de Trabalho de Pneumologia Oncológica da SPP, sublinham que “no cancro do pulmão é essencial detetar cedo e tratar o melhor e mais rápido possível”, uma vez que as estratégias terapêuticas têm sofrido uma grande evolução. Por isso, defendem uma maior aposta na prevenção, “o primeiro passo, logo desde as camadas mais jovens”.
A propósito do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, que se assinala a 1 de agosto, a SPP recorda os dados, recentemente divulgados, relativamente ao cancro do pulmão em Portugal, considerando que revelam um “cenário preocupante”. Em 2023, a doença foi responsável por 4.490 mortes, o valor mais elevado em 20 anos.
Para tal realidade contribuem, segundo as especialistas, o diagnóstico tardio – com cerca de 70-75% dos casos a serem diagnosticados em estadio avançado ou metastático -, o tabagismo, a exposição a poluentes ambientais e ocupacionais, o envelhecimento da população e a falta de um programa de rastreio estruturado.
Para inverter esta tendência, consideram que se deve apostar em campanhas intensivas de prevenção e cessação tabágica e na “concretização urgente e estruturada de rastreio por tomografia computorizada (TC) de baixa dose em grupos de risco, com vias rápidas e acessíveis de diagnóstico mais precoce”.
Apontam ainda a necessidade de formação ativa de profissionais de saúde, principalmente dos CSP, para identificação precoce de sintomas, monitorização das principais exposições ambientais de risco e o investimento nos cuidados integrados, reforçando reabilitação, apoio psicológico e cuidados paliativos desde fases iniciais.
Na nota, as pneumologistas da SPP apontam, ainda, a importância de uma reforma de processos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), reduzindo burocracias e agilizando fluxos clínicos e administrativos essenciais para o diagnóstico precoce e a melhoria no acesso precoce a medicamentos inovadores em Oncologia torácica.
“É crucial otimizar os processos de avaliação e aprovação de medicamentos, promover a concretização de programas de acesso precoce e garantir financiamento adequado.”
Relativamente à importância de antecipar o diagnóstico do cancro do pulmão, as pneumologistas salientam que é preciso “combinar estratégias de rastreio eficientes, com avanços tecnológicos emergentes”. Lembram, desta forma, que o rastreio com tomografia computorizada de baixa dose em indivíduos de alto risco (fumadores ou ex- fumadores há menos de 15 anos, com idades entre os 50 e 75 anos e carga tabágica de 20 maços/ano ou mais) reduz a mortalidade por cancro do pulmão até cerca de 25 %.
Quanto ao principal fator de risco para cancro do pulmão, o tabagismo, as médicas apelam à prevenção da iniciação tabágica, especialmente nos jovens, sendo importante integrar conteúdos obrigatórios nas escolas e promover ações educativas também fora da escola, junto das famílias.
O aumento dos preços do tabaco, a definição de mais zonas livres de fumo e a reativação, bem como o financiamento adequado, do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo (PNPCT) são outras das medidas apontadas.
SO/LUSA
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