7 Abr, 2020

Pneumologista Filipe Froes defende uso de máscara em idas ao supermercado

Médico defende o uso generalizado de máscara em locais onde é difícil manter o distanciamento social, como um supermercado.

“Todos devem usar máscara num local onde é difícil manter o distanciamento social. Não estou a usar máscara em casa, é claro. Mas quando vamos ao supermercado, penso que devemos usar máscara”, afirmou, numa videoconferência sobre as respostas sanitárias, económicas e políticas à covid-19, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Para o coordenador do Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente, em Lisboa, o uso de máscara deve, contudo, ser prioritário para profissionais de saúde e doentes.

“As máscaras funcionam, não há dúvida”, frisou o também coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos para a covid-19, lembrando que o uso das máscaras deve ser complementado com a lavagem das mãos e o distanciamento social.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) reiterou hoje que está alinhada com a Organização Mundial da Saúde sobre a utilização de máscaras pela generalidade da população e que está a analisar pareceres que foram pedidos.

A Ordem dos Médicos defendeu hoje que a DGS deve rever e operacionalizar, com caráter de urgência, os critérios de utilização universal das máscaras de proteção individual, sobretudo nos espaços públicos onde a distância de segurança seja mais difícil de manter.

No domingo, em entrevista à RTP, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse que a DGS pediu um parecer sobre o uso generalizado de máscaras para evitar a propagação da covid-19, tendo sido aconselhada a equacionar a medida.

Na semana passada, a Direção-Geral da Saúde alargou a recomendação para uso de máscaras a profissionais “fora das instituições de saúde” que lidem com doentes ou suspeitos, ou com material usado em doentes, e aos que prestam “serviços essenciais” à população.

Passou a ser aconselhado o uso de máscaras a bombeiros, funcionários de lares, serviços de limpeza e lavandaria, morgues e cemitérios, guardas prisionais, forças de segurança, profissionais de alfândegas, aeroportos e portos e manutenção de ar condicionado ou de distribuição de bens essenciais ao domicílio, assim como trabalhadores no atendimento ao público, como supermercados, “quando não seja possível a instalação de barreira física”, e voluntários que apoiem pessoas sem-abrigo.

Para Filipe Froes, a prevenção é fundamental para “esmagar a curva” epidemiológica, devendo “os esforços” hospitalares serem concentrados no diagnóstico e tratamento dos doentes mais graves e com mau prognóstico.

“A segurança de todos depende de cada um de nós”, vincou, estimando que a Europa, atual epicentro da pandemia, terá um milhão de infetados.

SO/LUSA

 

 

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