19 Out, 2020

Ordem dos Médicos contra obrigatoriedade da app StayAway Covid

Benefício da app StayAway Covid na diminuição de incidência de infeções não tem evidência científica sólida, diz Ordem dos Médicos.

Ordem dos Médicos contra obrigatoriedade da app StayAway Covid

A Ordem dos Médicos (OM) é contra a obrigatoriedade da instalação da aplicação StayAway Covid por não existir evidência científica de que a sua utilização contribua para a diminuição da incidência de Covid-19.

Em comunicado, a OM manifesta que “a aplicação StayAway Covid só tem utilidade em complementaridade com outras medidas de controlo da pandemia”, acrescentando que o seu interesse isoladamente é “escasso”.

“Não existe evidência científica robusta de que a sua utilização possa contribuir de forma significativa para diminuir a incidência da Covid-19”, justifica.

Nesse sentido, “a obrigatoriedade da sua instalação, utilização e respetiva fiscalização, coloca em causa questões éticas fundamentais subjacentes à vivência de um estado democrático, ao não preservar a confidencialidade e proteção de dados pessoais, e ao interferir com liberdades fundamentais e direitos individuais, que todos queremos proteger”.

A OM aponta ainda para o facto de “uma parte significativa da população portuguesa, talvez até a mais vulnerável, nem sequer tem os equipamentos móveis necessários para instalar a aplicação StayAway Covid“.

“Nesta medida, a instalação e utilização da aplicação Stayaway Covid deve ser recomendada, mas em circunstância alguma ser obrigatória”, argumenta.

A OM diz que esta tomada de posição não retira a importância da “coesão nacional no combate ao inimigo comum, o vírus SARS-CoV-2, alertando até para a necessidade de um reforço dado o “agravamento exponencial da situação epidemiológico da pandemia”.

No entender da Ordem, “o combate à infeção pelo SARS-CoV-2 tem várias dimensões que podem e devem ser aplicadas no terreno” e nesse sentido defende que “ouvir quem identifica cadeias de transmissão, diagnostica, segue e trata os doentes é absolutamente essencial para vencer esta pandemia”.

“Não é com medidas irrealistas, sem evidência científica sólida, criando falsas expectativas de segurança, que ajudamos a construir uma frente de combate eficaz. É verdade que estamos a combater um inimigo ainda pouco conhecido, lidamos com a incerteza. Mas não podemos perder o rumo”, realça.

Neste sentido, defendem que querem que “Portugal seja uma referência na área da saúde, Covid e não Covid, o que implica persistir no caminho da ciência e da ética”.

O anúncio desta proposta de lei para o uso obrigatório desta aplicação em contexto laboral, escolar, académico, bem como nas Forças Armadas, Forças de Segurança e na administração pública, que gerou uma onda de críticas, foi feito após o Conselho de Ministros elevar o nível de alerta para situação de calamidade em todo o território nacional.

Lusa/SO

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