O que precisa de saber sobre a vitamina D
Especialista em MGF, USF Castelo – ACeS Arrábida

O que precisa de saber sobre a vitamina D

A deficiência de vitamina D é um enorme problema de saúde pública, com prevalência > 1 bilião, 88,1% com níveis < 30ng/mL, 37% < 20ng/mL (deficiência) e 6,7% < 10ng/mL.

A  ingestão reduzida pode originar absorção insuficiente de cálcio e fósforo, constituindo um fator de risco para hiperparatiroidismo secundário; osteomalácia; osteoporose; fraqueza muscular proximal, ataxia e aumento do risco de quedas e de fraturas;  atraso no crescimento;  resposta imunitária reduzida a infeções; cansaço e fadiga.

Além disso, o doente apresenta maior risco para neoplasias (cólon, próstata, e mama), doenças cardiovasculares (lesão endotelial, mecanismos protrombóticos, stresse oxidativo e inflamação), diabetes tipo 1 e 2 (resistência à insulina) e doenças autoimunes.

Dez a 20% provém da dieta, sendo as principais fontes a vitamina D3 (colecalciferol, de origem animal) e D2 (ergocalciferol, de origem vegetal); 80% a 90% é sintetizada endogenamente. Os níveis sérios são influenciados por vários fatores, tais como sexo, idade, IMC, geográficos, exposição solar, hábitos alimentares e variantes genéticas.

Os idosos, obesos, grávidas, doentes com insuficiência renal e vegetarianos são grupos de risco. De acordo com a Norma da DGS, a determinação dos níveis não deve ser feita, exceto como rastreio oportunístico nos grupos de risco. De acordo com o EpiReumaPt, o primeiro estudo em Portugal, são fatores de risco a elevada nebulosidade, inverno e primavera, > 75 anos (menor conversão na pele, menor exposição, menor absorção, dieta empobrecida), obesidade, menor atividade física, tabagismo (< 10ng/mL) e sexo feminino, devendo ser geradas medidas promotoras do exercício físico, cessação tabágica e medidas de saúde pública em zonas como os Açores.

De acordo com estudos realizados, foi possível identificar polimorfismos genéticos na via do metabolismo e défice de vitamina D na população portuguesa que conferem uma menor capacidade de produção de vitamina D em cerca de 20%, com prevalência 4 vezes superior à média europeia, daí a prevalência superior por comparação com países do norte da Europa.

Os níveis reduzidos constituem um marcador de risco independente para a severidade de covid-19 por mecanismos como influenciar a integridade do sistema imunitário, frenar a “tempestade de citocinas” e stress oxidativo.

De acordo com um estudo realizado nos Hospitais de Santa Maria e São José, incluindo 491 doentes com idade  de 69,7± 15.8 anos, os doentes com níveis de vitamina D muito baixos apresentaram quadros mais graves da doença, com elevada mortalidade – morte, doença severa e grave em 18,5%, 21,8% e 59%. No âmbito das doenças autoimunes, a vitamina D regula os genes envolvidos na inflamação e imunidade inata e adquirida, diminuindo a progressão da doença. O colicalciferol vs o calcifediol é o que apresenta maior evidência científica (estudos de eficácia e segurança, impacto na doença musculoesquelética), única forma reconhecida nas guidelines por maior afinidade para o recetor da vitamina D.

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