Número de utentes sem médico de família aumentou 20% este ano

Havia, em agosto, mais de 843 mil portugueses sem médico atribuído. Colocação de 292 clínicos pode aliviar as carências em algumas zonas, sobretudo na região da Grande Lisboa mas é insuficiente para compensar o número de aposentações.

Está a ficar cada vez mais longe o objetivo do governo de atribuir médico de família a todos os portugueses até ao final da legislatura, em Outubro de 2019. O número de pessoas sem médico atribuído esteve em queda no último trimestre de 2017 mas desde janeiro deste ano que está em crescimento. Segundos dados da Administração Central de Saúde (ACSS), havia em agosto 843 mil pessoas sem médico. Em janeiro eram pouco mais de 700 mil (707 mil).

Dar um médico de família a todos é uma das promessas feitas por sucessivos governos e que nunca foi atingida. Em 2016, o primeiro-ministro António Costa, garantia que essa meta seria atingida no final de 2017, o que não veio a acontecer. Quando o atual governo tomou posse, em Novembro de 2015, um milhão e 34 mil pessoas não tinham médico, um valor que até aumentou em 2016 (chegou a ser de um milhão e 156 mil em junho desse ano). Depois de alguma oscilação, seguiu-se um descida até ao final desse ano (763 mil) mas o número voltou a aumentar durante a maior parte do ano passado, tendo chegado aos 950 mil em setembro. Agora, a tendência é novamente de crescimento.

A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a surgir destacada no topo das que têm maiores carências de médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF), com 621 mil pessoas ainda a descoberto. Há, até, na região da Grande Lisboa alguns centros de saúde onde nenhum utente tem médico de família. Em Sintra e em Moscavide, por exemplo, existem apenas dois médicos de família para mais de 3 mil utentes cada mas nenhum consta das listas, ou seja, nenhum destes tem médico atribuído.

Existem também casos, como os centros de saúde da Amadora, Algueirão, Alameda e São Sebastião, todos na Grande Lisboa, onde mais de metade dos inscritos não tem médico de família. Só nestas quatro unidades, quase 100 mil pessoas continuam a descoberto.

No entanto, o mais recente concurso para a colocação de médicos, cujos resultados foram conhecidos no final de agosto, vai permitir reforçar os cuidados de saúde primários com mais 292 médicos de família. Apesar de as vagas para a região de Lisboa não terem ficado preenchidas na totalidade, os 65 clínicos colocados nesta região devem permitir atribuir médico a mais cerca de 200 mil pessoas.

O problema é que o quadro de clínicos se vai alterando ao longo do ano, com a entrada dos jovens médicos mas também com a aposentação de muitos outros. Como já tínhamos noticiado em agosto, as previsões apontam para que este ano saiam para a reforma 410 médicos de MGF (mais do que os quase 300 que foram colocados). Este desequilíbrio vai acentuar-se em 2019, ano se estima que se possam reformar mais de 500 profissionais, o que, se não for acompanhado da contratação de um contingente semelhante, poderá colocar em causa a cobertura em zonas do país em que quase todos têm médico de família atribuído, como é o caso da região Norte.

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