13 Ago, 2020

Níveis de colesterol em queda nos países ocidentais e a subir na Ásia

Estudo da Nature analisou valores de colesterol de mais de 100 milhões de pessoas. Uso de estatinas e mudanças comportamentais estarão na origem da mudança do epicentro do colesterol não-HDL.

Os níveis de colesterol estão a diminuir nos países ocidentais e a aumentar nos de baixo e médio rendimento, especialmente na Ásia, revela um estudo publicado na revista Nature, que analisou os níveis de colesterol em 200 países, ao longo de quatro décadas.

Liderado pelo Imperial College London, o trabalho agora publicado analisou os valores de colesterol sérico de 102,6 milhões de indivíduos, de 200 países, avaliados entre 1980 e 2018.

Os resultados do trabalho revelaram que, nas últimas quatro décadas, 3,9 milhões de pessoas morreram, em todo o mundo, devido a níveis elevados de colesterol não-HDL (“mau”) e que metade dessas mortes ocorreram na Ásia (no leste, sul e sudeste do continente).

O estudo revela que os níveis de colesterol total e não-HDL caíram drasticamente em países de alta rendimento, particularmente aqueles no noroeste da Europa, América do Norte e Austrália, enquanto aumentaram nos países mais pobres, particularmente no Leste e Sudeste da Ásia. A China, que tinha alguns dos níveis mais baixos de colesterol não HDL em 1980, teve uma das maiores taxas de aumento de colesterol não HDL durante o período de estudo.

“Pela primeira vez, os níveis mais altos de colesterol não HDL estão fora do mundo ocidental. Isso sugere que agora precisamos implementar políticas regulatórias e de preços em todo o mundo que mudem as dietas de gorduras saturadas para não saturadas, e preparar sistemas de saúde para tratar os necessitados com medicamentos eficazes. Isso ajudará a salvar milhões de mortes por colesterol não HDL alto nessas regiões”, diz o professor Majid Ezzati do Imperial College e autor principal da pesquisa.

O professor Ezzati adianta que parte da redução nos níveis de colesterol não HDL nas nações ocidentais se deve ao aumento do uso de estatinas, ainda não utilizadas em larga escala em países mais pobres. As mudanças comportamentais também estarão na origem da mudança no epicentro da “pandemia da colesterol não-HDL”.

Como explica a investigadora Elisabete Ramos, do ISPUP (instituição que participou no estudo fornecendo os dados de Portugal), “nos países de baixo e médio rendimento houve, nas últimas décadas, alterações comportamentais que levaram ao abandono de uma alimentação mais tradicional, o que se traduziu na incorporação de alimentos mais processados na dieta. Além disso, assistiu-se também à redução da atividade física e ao aumento dos níveis de sedentarismo. Estas alterações poderão justificar os elevados níveis de colesterol aí encontrados”.

TC/SO

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