20 Mar, 2018

Mulheres em boa forma física reduzem em 90% o risco de desenvolver demência

Estudo feito na Suécia revela que as mulheres que, na meia-idade, apresentam uma boa forma física e, mesmo assim desenvolvem algum tipo de demência, só são confrontadas com a doença em média 11 depois das mulheres que têm um desempenho físico mais fraco.

Um estudo realizado na Suécia revela que as mulheres que, na meia-idade, praticam uma atividade física de forma regular e, por isso, mantêm uma boa forma física reduzem em cerca 90% o risco de virem a desenvolver demências quando atingirem uma idade mais avançada.

A investigação, publicada no jornal da Academia Americana de Neurologia, utilizou o desempenho cardiovascular de 191 mulheres, com uma idade média de 50 anos, que fizeram um teste de exercício de bicicleta até ficarem esgotadas – desde forma foi possível apurar a sua resistência cardiovascular máxima.

A carga média de trabalho foi medida em 103 watts. Um total de 40 mulheres preencheram os critérios de um elevado nível físico, com 120 watts ou mais. Um total de 92 mulheres estavam na categoria de fitness médio, enquanto 59 estavam na categoria de baixa condição física, definida em 80 watts ou menos, ou por os testes de exercícios terem sido interrompidos por causa da pressão arterial elevada, dor toráxica ou outros problemas cardiovasculares.

Nos 44 anos seguintes, as participantes foram submetidas a exames seis vezes para diagnosticar demência. Durante aquele período 44 mulheres desenvolveram demência. No grupo das mulheres em excelente forma física, apenas 5% desenvolveram a doença, tendo subido para 25% no grupo da forma física moderada e ainda para 32% no grupo da baixa forma física. Nas mulheres que tiveram que parar o exercício, 45% desenvolveram demência.

Assim, a equipa de investigadores da Universidade de Gotemburgo concluiu que as mulheres muito ativas fisicamente apresentaram 88% menos probabilidades de desenvolver demência do que as mulheres que apresentam uma

Ainda assim, quando as mulheres que eram bastante ativas a meio da idade desenvolveram demência quando seniores, a doença surgiu em média 11 anos depois em relação às outras mulheres. «Estas descobertas são excitantes porque verificámos que, melhorando a condição física cardiovascular das pessoas na meia-idade, podemos atrasar ou mesmo impedir que elas desenvolvam demência», diz Helena Hörder, autora do estudo e investigadora da Universidade de Gotemburgo.

Porém, apesar das fortes evidências, a investigação ressalva que foi feita uma associação positiva entre desporto e demência, mas não está estabelecida cientificamente que exista indiscutivelmete uma situação de causa-efeito. “São necessárias mais pesquisas para ver se a melhoria da aptidão física pode ter um efeito positivo sobre o risco de demência e também verificar quando, durante a vida, um elevado nível de aptidão física é o elemento mais importante”, esclareceu Hörder.

Tiago Caeiro/ SO

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