2 Jan, 2020

Médico de 66 anos recusou passar baixa e foi agredido em Moscavide

Agressão aconteceu no último dia do ano. Sindicato Independente dos Médicos exige ação por parte do Ministério para travar episódios de violência.

Um médico de clínica geral foi agredido a soco e pontapé por um utente de 20 anos no Centro de Saúde de Moscavide, em Lisboa. O clínico terá detetado várias incongruências no processo do jovem e recusou passar-lhe baixa, conta o Jornal de Notícias.

“Pretendia que lhe desse uma vacina para a gripe (porque um primo tinha feito a vacina), e lhe passasse uma renovação da baixa, retroativa a 26/12/2019”, contou o clínico, Vítor Manuel Silva Santos, na rede social Facebook. Tudo terá acontecido no dia 31 de dezembro, por volta das 15 horas.

Ao consultar o processo clínico viu que o jovem havia estado dias antes noutra unidade de saúde, sem que tivesse “aviado os medicamentos prescritos”. Aliás, o doente “não tinha aviado nenhuma receita das que lhe foram passadas em todo o ano de 2018 e 2019”.

Perante a recusa do médico em aceder ao seu pedido, o jovem “começou por pegar no teclado do computador e atirá-lo contra a secretária, partindo-o”. O mesmo aconteceu com o telefone. “Com a ajuda da namorada, que me segurava, agrediu-me com vários socos e pontapés, um dos socos no olho direito e um pontapé na grelha costal“, descreveu o clínico.

Apenas ao fim de 10 minutos o médico conseguiu sair do gabinete para pedir ajuda.

Perante mais este caso de violência, o Sindicato Independente dos Médicos pede à ministra da Saúde que crie condições de segurança para estes profissionais de modo a diminuírem o número de casos.

“A nossa pergunta é muito simples: O que é que a Senhora ministra da Saúde está a pensar fazer em relação a esta matéria? Não adiantam declarações vagas como a que teve a semana passada de solidariedade no geral [aquando da agressão a uma médica no Hospital de Setúbal na semana passada]”, disse.

No entendimento de Roque da Cunha, é preciso saber especificamente o que vai fazer Marta Temido para diminuir este tipo de situação por um lado e, por outro, criar condições para dar mais segurança aos profissionais.

“Na segunda-feira passada entregámos à Senhora Procuradora-Geral da República um pedido para intervenção, dado tratar-se de um crime público e também para que a procuradoria possa ter alguma intervenção nesta matéria”, contou.

De acordo com o secretário-geral do SIM, há um sentimento de impunidade muitíssimo grande.

“Tanto quanto é do nosso conhecimento nenhum dos agressores teve qualquer medida de coação, nem sequer foi presente a um juiz. Por isso, é preciso dizer basta e perguntar ao ministério o que pensa fazer em relação a esta matéria”, disse.

Para Roque da Cunha, tem de se agilizar a queixa, que tem de ser consequente com a forma como as queixas tem resposta.

“Porque incomoda as idas à polícia, as declarações, a recolha de testemunhas. Para um crime público parece-me excessivo e fundamental que os poderes públicos ajam, não só o Ministério Público, mas também a Procuradoria-Geral da República”, realçou.

O secretário-geral do SIM referiu que o sindicato tem conhecimento de que há dezenas de agressões verbais e às vezes físicas, e por devido a burocracias, para evitar incómodos, e pela lentidão da justiça não vêm ao conhecimento público.

“As pessoas têm outras maneiras de protestar de considerar que o comportamento de um médico poderá não ser o mais correto, mas a questão da segurança física é essencial desde a disposição dos próprios gabinetes até à criação de condições para de alguma maneira limitar, saber gerir os conflitos”, disse.

Sobre o estado do médico agredido, Jorge Roque da Cunha disse que está afetado psicologicamente e que já avançou com uma queixa na PSP.

SO/LUSA

 

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