Mais de 50% dos doentes com artrite reumatoide não são acompanhados por um especialista

A propósito do Dia Nacional do Doente com Artrite Reumatoide, assinalado esta quinta-feira, 5 de abril, a Sociedade Portuguesa de Reumatologia alerta para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento por parte de um especialista.

“O grande desafio está em diminuir o tempo que decorre até o doente procurar ajuda médica e até o médico de família realizar a referenciação para o Reumatologista”, sublinha, em comunicado, a Sociedade Portugal de Reumatologia, que no dia de sensibilização para esta doença, reforça a importância da deteção atempada e do seu respetivo tratamento.

A organização explica que “o diagnóstico da Artrite Reumatoide deverá ser feito, idealmente, nos primeiros 6 meses após o início dos sintomas. Porém, esta realidade está ainda longe de ser alcançada, sendo que o tempo médio atual até ao diagnóstico se fixa em aproximadamente 2 anos, influenciando negativamente o prognóstico da doença a longo prazo”, acrescentando que o diagnóstico precoce desta doença “traduz-se numa melhor qualidade de vida, dado que reduz significativamente a probabilidade de dano estrutural, o grau de dependência no dia-a-dia e também a mortalidade precoce”.

A falta de literacia em relação à área da saúde em geral e à Reumatologia, a subvalorização dos sintomas, assim como o seu reconhecimento tardio tanto pelos doentes como pelos médicos de família e MGF, e a falta de centros de Reumatologia são apontadas como as principais razões que levam os doentes a serem diagnosticados de forma tardia.

Nesse sentido, a Sociedade Portuguesa de Reumatologia propõe a criação de estruturas capazes de sensibilizar e informar a população para os principais sintomas e para a importância da deteção precoce; uma maior intervenção junto da Tutela, de forma a melhorar o acesso dos serviços de saúde e a promover a criação mais serviços de Reumatologia e, por fim, alertar para a importância de registar os doentes a plataforma Reuma.pt.

O Dr. José Canas da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, afirma que “é fulcral que se dê a importância devia à Artrite Reumatoide, que afeta milhares de portugueses e é umas principais causas de absentismo no trabalho”.

A Artrite Reumatoide é uma doença reumática que se caracteriza por um processo inflamatório ao nível das articulações e que, se não for tratada atempadamente, pode culminar na destruição das articulações. Os sintomas mais comuns são a dor ao mobilizar as articulações e rigidez (prisão de movimentos) e a vermelhidão ou edema (inchaço). Em Portugal, estima-se que a Artrite Reumatoide afete entre 0.8 a 1.5% da população, com uma prevalência superior nas mulheres (1.1%) em relação aos homens (0.3%), e apenas 43% dos doentes são acompanhados por um reumatologista.

COMUNICADO/SO

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