25 Mar, 2021

Idosos dependentes de drogas é “epidemia silenciosa”

“Os cientistas tendem a ignorar o uso de substâncias pelos maiores de 65 anos”, nota o relatório, adiantando que a falta de informação levou os governos, em geral pouco atentos ao flagelo, a não criarem programas adequados.

O Escritório das Nações Unidas para a Droga e o Crime Organizado (UNODC) apela num relatório divulgado hoje para o combate aos problemas ligados ao aumento do uso de drogas pelos idosos, fenómeno descrito como uma “epidemia silenciosa”.

Numa altura em que o envelhecimento da população mundial se acelera, principalmente nos países de baixos rendimentos, “é fundamental” olhar para essa faixa etária, destaca o organismo sediado em Viena no seu relatório anual.

O UNODC recomenda que se melhore a “investigação e recolha de dados” sobre o assunto, apontando “numerosas lacunas”.

“Os cientistas tendem a ignorar o uso de substâncias pelos maiores de 65 anos”, nota o relatório, adiantando que a falta de informação levou os governos, em geral pouco atentos ao flagelo, a não criarem programas adequados.

A própria definição do termo “idoso” não é consensual neste caso e alguns especialistas consideram que no caso de pessoas com problemas ligados ao consumo de substâncias deveria considerar-se pelo menos os maiores de 50, mas qualquer que seja o critério, os dados atualmente disponíveis mostram uma “tendência alarmante”.

Na Índia e na Nigéria, as pessoas entre os 45 e os 64 anos têm um consumo excessivo de medicamentos opioides e xaropes para a tosse, enquanto no Japão os medicamentos contra problemas de sono e ansiedade são “prescritos de modo desproporcionado aos idosos”.

Nos Estados Unidos, a utilização da maioria das drogas na faixa superior aos 65 anos triplicou nos últimos 10 anos.

No caso dos utilizadores idosos, o UNODC destaca um “problema crescente” de “polimedicação”, correspondente à toma de pelo menos cinco medicamentos – receitados ou não – ou de drogas ilícitas por dia.

Esta prática pode levar a problemas respiratórios, doenças degenerativas e hepáticas, diabetes e problemas crónicos de saúde mental, precisa o relatório, referindo ainda o risco de morte por overdose.

Outras consequências possíveis são quedas, acidentes rodoviários e uma dificuldade em realizar as tarefas da vida quotidiana, assim como o isolamento e a depressão num contexto de “estigma” e “vergonha”.

No relatório, o UNODC evoca, por outro lado, as consequências da pandemia da covid-19 na saúde mental, numa altura em que as várias restrições “desestabilizaram a cadeia de abastecimento global de medicamentos”.

O organismo revela preocupação com a suspensão ou interrupção nos últimos meses de programas de saúde mental e de tratamento da toxicodependência em mais de 40 países devido ao coronavírus.

Os especialistas do organismo lembram que as pessoas que seguem aqueles programas são especialmente vulneráveis à solidão e ao isolamento social causados pelas medidas de confinamento e pelas restrições impostas para conter a propagação do vírus.

As restrições à mobilidade causaram numerosos problemas a pessoas em programas de tratamento da toxicodependência, indicando o UNODC que tal pode ter agravado certos transtornos e a sua saúde mental em geral.

 

Notícias relacionadas:

ler mais

RECENTES

ler mais