30 Mar, 2026

Hospital de Ponta Delgada retoma processo de reacreditação após suspensão causada pelo incêndio

O Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, está a retomar a reacreditação dos serviços suspensa após o incêndio de 2024. O Governo dos Açores destaca os resultados da auditoria recente e sublinha a recuperação da atividade assistencial do hospital.

Hospital de Ponta Delgada retoma processo de reacreditação após suspensão causada pelo incêndio

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, está a trabalhar na reacreditação dos seus serviços, processo que tinha ficado suspenso na sequência do incêndio de maio de 2024, anunciou esta sexta-feira o presidente do Governo dos Açores.

José Manuel Bolieiro explicou que a certificação é essencial para consolidar rotinas de qualidade e boas práticas assistenciais, permitindo otimizar processos e reforçar a confiança na prestação de cuidados. Segundo o governante, o hospital encontra-se agora a retomar esse percurso de reacreditação.

Em janeiro foi realizada uma nova auditoria ao HDES, durante a qual os auditores visitaram vários serviços ao longo de uma semana e avaliaram parâmetros relacionados com gestão, produtividade e experiência dos doentes.

Nesta fase, o hospital foi avaliado em 1.190 critérios, tendo alcançado 86,5% de parâmetros totalmente cumpridos, 7,14% parcialmente cumpridos e 6,3% não cumpridos.

Para José Manuel Bolieiro, os resultados demonstram que a instituição está no caminho certo e justificam a retoma do processo de reacreditação, que considera um sinal de confiança na capacidade de melhoria contínua do hospital.

O incêndio que deflagrou em 4 de maio de 2024 obrigou à transferência de doentes para outras unidades de saúde dos Açores, Madeira e continente. Como resposta, o executivo regional optou pela instalação de um hospital modular, destinado a assegurar a continuidade dos cuidados enquanto decorre a requalificação do único hospital público da ilha de São Miguel.

O HDES tinha obtido a sua primeira certificação internacional da Caspe Healthcare Knowledge Systems (CHKS) em 2007, acreditação que ficou suspensa após o incêndio.

José Manuel Bolieiro falava na sessão evocativa do Dia Nacional do Dador de Sangue, realizada no hospital e acompanhada pela secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seídi.

Durante a cerimónia, o líder do executivo regional destacou também o contributo dos dadores açorianos, referindo que, nos últimos dois anos, os hospitais da região registaram 6.822 novos dadores de sangue.

O presidente do Governo aproveitou ainda para divulgar dados da atividade assistencial do HDES em 2025, comparando-os com o ano anterior.

Segundo os números apresentados, o total de consultas aumentou 12%, passando de 230.899 em 2024 para 259.255 em 2025. Nas primeiras consultas, o crescimento foi de 13%, subindo de 61.376 para 69.391.

Na área do internamento, o número de doentes saídos registou um aumento de 8%, enquanto a atividade cirúrgica com internamento cresceu 26%.

Também a cirurgia urgente aumentou 18% em 2025, ao passo que a produção de meios complementares de diagnóstico e terapêutica subiu 17%.

Já a nova unidade de hospitalização domiciliária do HDES, que iniciou atividade em outubro de 2025 com capacidade para cinco camas, acompanhou 23 utentes no ano passado e soma já 32 em 2026.

Até 23 de março deste ano, este modelo permitiu evitar 592 dias de internamento convencional no hospital.

A cerimónia incluiu ainda uma homenagem a cerca de 400 dadores de sangue, distinguidos com medalhas e diplomas de mérito a nível regional e nacional.

A diretora do serviço de Hematologia, Fátima Oliveira, adiantou que, em 2025, estavam registados 1.501 dadores e foram realizadas 1.878 dádivas, números que, sublinhou, refletem o compromisso e a disponibilidade da população açoriana.

LUSA/SO

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