20 Abr, 2020

Hospital de Gaia/Espinho pondera apresentar queixas por abandono de doentes

Centro hospitalar sinalizou junto da Segurança Social e do Ministério Público “casos sociais”, estando a ponderar apresentar queixas.

“Em momentos difíceis deparamo-nos com o melhor que há em nós, e percebemos que somos capazes do inacreditável, tornando-nos heróis. Infelizmente, o oposto também se verifica. O CHVNGE tem sido confrontado com a permanência de pessoas internadas sem necessidade clínica, abandonadas pela própria família”, lê-se na mensagem publicada nas redes sociais do CHVNG/E.

Já em resposta à agência Lusa, fonte deste centro hospitalar revelou que “neste momento” estão 12 doentes sinalizados como “casos sociais”. Em causa estão utentes cujo estado de saúde não implica cuidados, ou seja, estão em condições de ter alta clínica.

“No entanto, são pessoas que necessitam de cuidador, por razões de dependência, o que não permite uma alta clínica com segurança”, descreve o CHVNG/E, recordando que “a situação torna-se mais dramática atualmente, uma vez que, se já em circunstâncias e condições regulares, o perigo de contrair infeções é elevado, esse perigo aumentou substancialmente” com a pandemia covid-19.

O CHVNG/E alerta que este abandono “não só põe em causa a vida de pessoas saudáveis, como pode impedir o tratamento de quem mais necessita, uma vez que há uma ocupação de cama sem necessidade clínica”.

De acordo com os serviços sociais deste hospital, esta é uma realidade que não é nova, porque, referem, “este problema sempre existiu infelizmente”, mas tem vindo a ser “uma constante nos últimos anos”, registando um “agravamento acentuado neste período de contingência”.

“Temos casos mais recentes de portadores de covid-19, dependentes de terceiros, que ainda não foi possível reintegrar nos seus domicílios, por ainda não haver resposta familiar e/ou social”, referiu à Lusa fonte do hospital.

Assim, o CHVNG/E sinalizou estes “casos sociais” junto do Instituto de Segurança Social e do Ministério Público (MP).

“O MP, na generalidade dos casos, acaba por solicitar ao CHVNG/E que o processo dê entrada não como queixa formal, mas como ‘solicitação do estabelecimento do estatuto e maior acompanhado’ – que não implica qualquer consequência para cuidadores negligentes”, é descrito na resposta à Lusa.

SO/LUSA

 

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