22 Mar, 2018

Hospitais Senhor do Bonfim desmentem pagamento de dívida pelo Estado

"Mantém-se a aldrabice. Ainda não caiu dinheiro nenhum", reagiu Manuel Agonia, proprietário dos HSB: "Até este momento, nem dinheiro nem notícias. E ainda ninguém do Estado me comunicou nada Estou cansado até à medula", lamentou o empresário.

O Empresário Manuel Agonia, 92 anos, proprietário do complexo Hospitais Senhor do Bonfim, em Vila do Conde, já reagiu ao comunicado do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde, emitido ontem à tarde, dando conta de que já pagou cerca de 74,9 mil euros dos mais de 500 mil que deve ao maior hospital privado do país. “. Além do pagamento destas duas tranches, o Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde informava, ainda, que “o valor remanescente vai ser liquidado no mais curto espaço de tempo possível”.

Dinheiro necessário, de acordo com Manuel  Agonia, para pagar os dois meses de salários em atraso aos seus cerca de 350 trabalhadores.

Em declarações ao Jornal de Negócios, o empresário negou tudo. “Mantém-se a aldrabice. Ainda não caiu dinheiro nenhum”, reagiu Manuel Agonia “Até este momento, nem dinheiro nem notícias. E ainda ninguém do Estado me comunicou nada Estou cansado até à medula”, lamentou o empresário.

Poucas horas antes, em declarações aos jornalistas, o ministro da Saúde disse que a dívida do Estado ao complexo hospitalar Senhor do Bonfim, situado em Vila do Conde, deverá ser saldada em breve. “Acredito” que nos próximos dias essa questão esteja resolvida”, afirmou Adalberto Campos Fernandes.

Já quando questionado sobre o facto de Agonia fazer depender a continuidade dos HSB da liquidação da factura estatal, via para a regularização dos salários, o ministro descartou o racional da equação.
“Não queria misturar as questões, porque o Governo não responde por investimentos privados nem pela sustentabilidade de iniciativas de carácter privado”, argumentou.

Em declarações ao Negócios, o dono dos HSB acabou por admitir que não é no encaixe deste meio milhão de euros que reside a viabilização do Senhor do Bonfim. “Vou ter de vender capita], o controlo da empresa, se for preciso, para salvar o hospital”, reconheceu Agonia, que ontem terá almoçado com um potencial investidor.

“A conversa correu bem. Ofereceram-me 150 milhões de euros por 50% do capital. Estou agora à espera da proposta definitiva”, contou o empresário, que, no dia anterior, em anteriores declarações ao Negócios, tinha torcido o nariz a algumas condições impostas por este investidor para fechar o negócio. “Querem que eu fique como figura decorativa, sem poder decisório, e despachar alguns dos meus colaboradores. Ora, isso não me agrada”, afirmou na altura Entretanto, “as notícias que têm saído sobre a situação do Senhor do Bonfim despoletaram uma série de interessados. Os telefonemas têm sido mais do que muitos”, enfatizou Agonia, que continua a reclamar a celebração das convenções com o Serviços Nacional de Saúde, “conforme havia sido prometido pelo anterior Governo”.

Ontem, em declarações à imprensa, Manuel Agonia admitiu mesmo o encerramento do complexo hospitalar. “Se não houver acordo, é o fim. Em Abril, fecho o hospital e digo às pessoas para arrastarem o que puderem”.

Jornal de Negócios/LUSA/SO

 

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