14 Jul, 2022

Ficaram por ocupar mais de metade das vagas para médicos de família na região de Lisboa

No último concurso, apenas 60% das vagas foram ocupadas em todo o país, tendo-se registado dezenas de desistências entre os especialistas em MGF.

A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a revelar-se pouco atrativa para os médicos de Medicina Geral e Familiar. No mais recente concurso, aberto em junho e concluído esta quarta-feira, mais de metade das vagas abertas nesta região, para a colocação de médicos de família, ficaram desertas.

No final do processo, em todo o país, apenas 60% das vagas foram ocupadas, tendo-se registado dezenas de desistências. Para um total de 432 vagas (211 em Lisboa e Vale do Tejo), o concurso contou com 379 candidatos, que correspondiam a 87% dos lugares. No entanto, apenas 60% dos lugares foram ocupados.

“As nossas piores previsões infelizmente aconteceram. É essencial que o governo encare o problema e o resolva”, afirma o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), em comunicado enviado às redações. Jorge Roque da Cunha antecipa que “a situação irá repetir-se e agravar-se se não forem melhoradas, de forma estrutural e profunda, as condições de trabalho e remuneratórias da carreira médica no SNS.”

Em declarações à agência Lusa, o dirigente sindical afirmou que esta situação quer dizer “três coisas”: “Em primeiro lugar que, infelizmente, a tendência que se tem assistido nos últimos anos, se tem verificado e de alguma maneira agravado”.

“Em segundo lugar, quando a senhora ministra da Saúde, na altura em que pressionada pelos acontecimentos de encerramento dos serviços de urgência, anuncia a contratação de 1.800 médicos, o que o faz é anunciar que abre a possibilidade de 1.800 locais de trabalho serem ocupados, mas como a senhora ministra sabe melhor que todos nós, o resultado é este”, declarou.

Por último, apontou a saída dos médicos do SNS por reforma, que este ano serão 500 médicos hospitalares e cerca de 400 médicos de Medicina Geral de Familiar, e por rescisões, que em 2021 foram cerca de 500 em todas as especialidades e este ano “a tendência é muito semelhante”.

“Por mais que se demonstre que o número de médicos que entram são menos dos que saem, o Ministério da Saúde ainda não assumiu que é necessário alterar as condições de trabalho dos médicos no Serviço Nacional de Saúde”, salientou.

Para o dirigente sindical, é essencial que o ministério perceba que está a empurrar os médicos para serem tarefeiros ao oferecer um salário líquido mensal de 1.800 euros, quando muitos deles têm de se deslocar para outras zonas do país, com as despesas inerentes.

Como prestadores de serviços, o pagamento do valor que recebem à hora é “bastante mais atrativo e naturalmente as pessoas optam por essa maneira”.

Questionado sobre a majoração de 60% no vencimento dos jovens especialistas que se fixem em zonas com uma média de cobertura por médico de família inferior à nacional, à qual se junta o incentivo que já existia para estas zonas (1.111 euros) o que significa 100% sobre o vencimento dos médicos, Roque da Cunha disse que “O princípio é errado”.

“O princípio é errado e altamente perturbador, até porque junto dos médicos de família que há dezenas de anos asseguram o trabalho nesses locais terem ao lado colegas que durante três anos vão ganhar quase o dobro não é a solução como dissemos ao Ministério da Saúde”, comentou.

Segundo Roque da Cunha, “muitas dessas vagas não foram ocupadas porque as pessoas percebem que, para além do desconforto dessa situação, é por três anos”.

Esta situação vem confirmar “a necessidade imperiosa” do Ministério da Saúde, na negociação que iniciou na quarta-feira com os sindicatos, de “encarar o problema e de ouvir os sindicatos”, defendeu.

SO

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